sábado, 14 de abril de 2018

ANÚNCIO URGENTE

ANÚNCIO URGENTE
Procura-se uma alma.
Uma alma que não esteja hipotecada.
Pago um bom preço,
tenho economizado por toda um vida.
Procuro uma alma com aura verde.
Verde de esperança de um recomeçar.
Pode ser aura rosa também,
que é minha cor predileta.
Pensando bem,
pode ser aura de qualquer cor,
desde que não seja desbotada,
preciso de uma cor vibrante e profunda.
Procura-se uma alma urgente!!
Que não esteja ocupada,
arrendada,
alugada,
abandonada,
desgastada,
despedaçada ...
O corpo em que ela habita é o que menos importa,
estou farta de bundas,
pernas e bocas sem almas.
Preciso de uma alma inteira para eu morar.
Pago bem!
Tenho a minha própria alma para ofertar-lhe também.
Lilly Araujo-12/04/18

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Morada

De todas as saudades que eu sinto, a que mais me afugenta o sono, é o desejo de morar dentro de você!

Lilly Araújo 26/12/17
23:58h

domingo, 17 de dezembro de 2017

Noite curta

Noite curta

Quando a noite não for o suficiente para me engolir,
eu engolirei a madrugada
com gosto de tequila e sal,
e de fumaça de cigarro e incenso,
e sarro escondido no banheiro úmido de prazer.

Quando a noite for curta demais,
eu atropelarei as placas que dizem proibido estacionar,
e todas as demais que queiram me proibir,
seja do que quer que for,
porque a ordem da vez é seguir meu coração,
esse doido varrido,
que me aponta para cumes que eu temo escalar.

Quando a noite já não mais for,
eu ainda serei,
torta, densa, descompensada,
rasgada de desejo e de sussurros habitada.

16/12/16
Lilly Araújo
00:30h

domingo, 10 de dezembro de 2017

Sobre Esperança na Fenestra do Ocaso

Te beijo com os lábios de uma Poeta perdida em um pôr-do-sol que não vigorou. Margeio  oceanos salgados, aos quais acrescento mais sal: os das minhas ininterruptas lágrimas de um ocaso mal sucedido.
Vagueio, como um barco à deriva, numa noite sem luar para servir de luminária dos apaixonados. Não há sequer estrelas nesse limbo onde minha alma foi condenada a perambular, enquanto canta com a boca murcha sons de um coração despedaçado, desajeitado, e bêbado de solidões.
Ainda sonho com o Paraíso, apesar de tudo, é como se a luz da esperança tentasse romper uma pequena fenestra, e por fim, oferecer-me algum alívio. Nessas poucas vezes, eu posso jurar ouvir teu pintassilgo cantar poesias para mim, então eu me acalmo e adormeço...
Acordo mil anos depois. Ainda limbo. Ainda nevoeiro. Ainda saudades. E na fome de mais uma gota de absinto, que possa haver nas palavras do Poeta, que também é Profeta, eu me obrigo a retornar ao caminho da procura. Sempre à procura. Uma busca sem fim!
Te beijo, com vontade de coisa alguma, apenas de me encontrar um dia.

Ass.: MARIA

{Lilly Araújo-  09/12/17}

domingo, 26 de novembro de 2017

CARNEIRINHOS PARA MINHA INSÔNIA

CARNEIRINHOS PARA MINHA INSÔNIA

Chove ruidosamente.
A chuva disfarça as lágrimas
que eu não deixo mais cair.
Nos braços da noite
de mais um sábado abandonado,
vou contando carneirinhos
para minha insônia dormir.

Chove denso,
com tom fúnebre de trovões
orquestrando letras ocas
para gravarem meu epitáfio
em pedra mármore enregelada.

Morre-me
na presença do agora,
mais outra vez adiada,
a esperança de quem sabe um dia.

A chuva chegou tarde.
Outra vez, tarde demais!
A vida era um faz-de-conta
que alguém escreveu por engano,
num momento úmido de melancolia.

Lilly Araújo

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Melancolia

Não sei se sei cuidar da minha alma. Único bem que tenho que é transcendental a essa vida efêmera.
TEMPUS FUGIT. CARPE DIEM!
E mesmo com todos os alertas na língua erudita, eu não posso obedecer.
Afogo minha alma em melancolia, irrigo suas veias em todo meu estado líquido e denso, intermitente e confuso. Quando não o faço,  não sou mais eu e não me reconheço. Perturbo aos que suportam minha presença com meu mutante humor; ora riso, ora pranto, ora extravagância, ora mudo/surdo/daltônico.
Volto a escrever inutilmente apenas para não ter que verbalizar minha dores banais. Poupo os ouvidos daqueles que não precisam me ouvir, ao mesmo tempo que poluo as vistas daqueles que ousam ler esse amontoado de coisa alguma.
Quero um bosque só pra mim, e mergulhar todos os dias no Walden. Invejo Thoreau! Sou covarde demais para largar tudo (o que nem tenho) e me entregar para o que realmente necessito.
Como eu disse: - Não sei cuidar da minha alma! - E sigo mergulhando-a em melancolia, enquanto sonho arco-íris desbotados na minha retina que descolou-se no último golpe do destino.

Lilly Araújo - 24/11/17
10:10h

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