sábado, 5 de maio de 2018

CARÍCIAS DE UM ABANDONO



CARÍCIAS DE UM ABANDONO

Há dias que não como.
A levedura fétida dos pães amanhecidos
me embrulham os sentidos todos.
Há um certo ar de um ‘quê’ não resolvido.
Questões cíclicas em torno do meu umbigo.

Há noites e noites e noites que não durmo,
sob o sol desse abandono que me queima
numa cama insone e gélida.

Há sempre esse revolver de regurgito em minha boca:
a falta do abraço cálido,  que me cale
esse clamor de autopiedade repetitivo.

Se estou só?
— não apenas isso— é que estou sem ti.
E isso é muito mais que eu poderia.

Há dias infinitos que não posso
sentir um orgasmo de flores desabrochando,
porque nesse limbo da penumbra,
eu só posso provar carícias de um abandono.

Lilly Araújo- 05/05/18

08:15h

sábado, 14 de abril de 2018

ANÚNCIO URGENTE

ANÚNCIO URGENTE
Procura-se uma alma.
Uma alma que não esteja hipotecada.
Pago um bom preço,
tenho economizado por toda um vida.
Procuro uma alma com aura verde.
Verde de esperança de um recomeçar.
Pode ser aura rosa também,
que é minha cor predileta.
Pensando bem,
pode ser aura de qualquer cor,
desde que não seja desbotada,
preciso de uma cor vibrante e profunda.
Procura-se uma alma urgente!!
Que não esteja ocupada,
arrendada,
alugada,
abandonada,
desgastada,
despedaçada ...
O corpo em que ela habita é o que menos importa,
estou farta de bundas,
pernas e bocas sem almas.
Preciso de uma alma inteira para eu morar.
Pago bem!
Tenho a minha própria alma para ofertar-lhe também.
Lilly Araujo-12/04/18

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Morada

De todas as saudades que eu sinto, a que mais me afugenta o sono, é o desejo de morar dentro de você!

Lilly Araújo 26/12/17
23:58h

domingo, 17 de dezembro de 2017

Noite curta

Noite curta

Quando a noite não for o suficiente para me engolir,
eu engolirei a madrugada
com gosto de tequila e sal,
e de fumaça de cigarro e incenso,
e sarro escondido no banheiro úmido de prazer.

Quando a noite for curta demais,
eu atropelarei as placas que dizem proibido estacionar,
e todas as demais que queiram me proibir,
seja do que quer que for,
porque a ordem da vez é seguir meu coração,
esse doido varrido,
que me aponta para cumes que eu temo escalar.

Quando a noite já não mais for,
eu ainda serei,
torta, densa, descompensada,
rasgada de desejo e de sussurros habitada.

16/12/16
Lilly Araújo
00:30h

domingo, 10 de dezembro de 2017

Sobre Esperança na Fenestra do Ocaso

Te beijo com os lábios de uma Poeta perdida em um pôr-do-sol que não vigorou. Margeio  oceanos salgados, aos quais acrescento mais sal: os das minhas ininterruptas lágrimas de um ocaso mal sucedido.
Vagueio, como um barco à deriva, numa noite sem luar para servir de luminária dos apaixonados. Não há sequer estrelas nesse limbo onde minha alma foi condenada a perambular, enquanto canta com a boca murcha sons de um coração despedaçado, desajeitado, e bêbado de solidões.
Ainda sonho com o Paraíso, apesar de tudo, é como se a luz da esperança tentasse romper uma pequena fenestra, e por fim, oferecer-me algum alívio. Nessas poucas vezes, eu posso jurar ouvir teu pintassilgo cantar poesias para mim, então eu me acalmo e adormeço...
Acordo mil anos depois. Ainda limbo. Ainda nevoeiro. Ainda saudades. E na fome de mais uma gota de absinto, que possa haver nas palavras do Poeta, que também é Profeta, eu me obrigo a retornar ao caminho da procura. Sempre à procura. Uma busca sem fim!
Te beijo, com vontade de coisa alguma, apenas de me encontrar um dia.

Ass.: MARIA

{Lilly Araújo-  09/12/17}

domingo, 26 de novembro de 2017

CARNEIRINHOS PARA MINHA INSÔNIA

CARNEIRINHOS PARA MINHA INSÔNIA

Chove ruidosamente.
A chuva disfarça as lágrimas
que eu não deixo mais cair.
Nos braços da noite
de mais um sábado abandonado,
vou contando carneirinhos
para minha insônia dormir.

Chove denso,
com tom fúnebre de trovões
orquestrando letras ocas
para gravarem meu epitáfio
em pedra mármore enregelada.

Morre-me
na presença do agora,
mais outra vez adiada,
a esperança de quem sabe um dia.

A chuva chegou tarde.
Outra vez, tarde demais!
A vida era um faz-de-conta
que alguém escreveu por engano,
num momento úmido de melancolia.

Lilly Araújo

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