domingo, 10 de dezembro de 2017

Sobre Esperança na Fenestra do Ocaso

Te beijo com os lábios de uma Poeta perdida em um pôr-do-sol que não vigorou. Margeio  oceanos salgados, aos quais acrescento mais sal: os das minhas ininterruptas lágrimas de um ocaso mal sucedido.
Vagueio, como um barco à deriva, numa noite sem luar para servir de luminária dos apaixonados. Não há sequer estrelas nesse limbo onde minha alma foi condenada a perambular, enquanto canta com a boca murcha sons de um coração despedaçado, desajeitado, e bêbado de solidões.
Ainda sonho com o Paraíso, apesar de tudo, é como se a luz da esperança tentasse romper uma pequena fenestra, e por fim, oferecer-me algum alívio. Nessas poucas vezes, eu posso jurar ouvir teu pintassilgo cantar poesias para mim, então eu me acalmo e adormeço...
Acordo mil anos depois. Ainda limbo. Ainda nevoeiro. Ainda saudades. E na fome de mais uma gota de absinto, que possa haver nas palavras do Poeta, que também é Profeta, eu me obrigo a retornar ao caminho da procura. Sempre à procura. Uma busca sem fim!
Te beijo, com vontade de coisa alguma, apenas de me encontrar um dia.

Ass.: MARIA

{Lilly Araújo-  09/12/17}

domingo, 26 de novembro de 2017

CARNEIRINHOS PARA MINHA INSÔNIA

CARNEIRINHOS PARA MINHA INSÔNIA

Chove ruidosamente.
A chuva disfarça as lágrimas
que eu não deixo mais cair.
Nos braços da noite
de mais um sábado abandonado,
vou contando carneirinhos
para minha insônia dormir.

Chove denso,
com tom fúnebre de trovões
orquestrando letras ocas
para gravarem meu epitáfio
em pedra mármore enregelada.

Morre-me
na presença do agora,
mais outra vez adiada,
a esperança de quem sabe um dia.

A chuva chegou tarde.
Outra vez, tarde demais!
A vida era um faz-de-conta
que alguém escreveu por engano,
num momento úmido de melancolia.

Lilly Araújo

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Melancolia

Não sei se sei cuidar da minha alma. Único bem que tenho que é transcendental a essa vida efêmera.
TEMPUS FUGIT. CARPE DIEM!
E mesmo com todos os alertas na língua erudita, eu não posso obedecer.
Afogo minha alma em melancolia, irrigo suas veias em todo meu estado líquido e denso, intermitente e confuso. Quando não o faço,  não sou mais eu e não me reconheço. Perturbo aos que suportam minha presença com meu mutante humor; ora riso, ora pranto, ora extravagância, ora mudo/surdo/daltônico.
Volto a escrever inutilmente apenas para não ter que verbalizar minha dores banais. Poupo os ouvidos daqueles que não precisam me ouvir, ao mesmo tempo que poluo as vistas daqueles que ousam ler esse amontoado de coisa alguma.
Quero um bosque só pra mim, e mergulhar todos os dias no Walden. Invejo Thoreau! Sou covarde demais para largar tudo (o que nem tenho) e me entregar para o que realmente necessito.
Como eu disse: - Não sei cuidar da minha alma! - E sigo mergulhando-a em melancolia, enquanto sonho arco-íris desbotados na minha retina que descolou-se no último golpe do destino.

Lilly Araújo - 24/11/17
10:10h

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Reflexos de uma tosse

Tossia intermitentemente no decorrer da semana, ao cair do sexto dia pensava em morrer, aliás, em não morrer. Depois de tantos anos flertando descaradamente com a morte, e  tantas vezes apelando para seu gélido beijo, agora se pegava surpresa ao pensar que não a queria mais. A paixão havia passado. Concomitantemente fora substituída pelo almejar de um outro beijo, desta vez quente, mas igualmente fatal, meteórico e definitivo.
Pensava em morrer em meio aquele silêncio intercalado pela tosse seca, pensava em não morrer, aliás. Ainda não. 
Ainda não!

Lilly Araújo – 15/10/17
21:20h

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Amor Virtual



 
AMOR VIRTUAL

Olho o Quintana caído sob a lateral de minha cama,
dois ‘quase-estranhos’ dentro do mesmo cômodo íntimo,
e na minha intimidade aquele ‘não-mais-estranho’,
longe do quarto e dentro das minhas entranhas.

Lilly Araújo- 20/09/17
09:04h

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

JAZ O SORRISO TÍMIDO


JAZ O SORRISO TÍMIDO.
DESCANSAM, OS SUSPIROS INGÊNUOS, ETERNAMENTE.
A VISÃO TROVADORESCA DE SUA IMAGEM REPOUSA NO ÚLTIMO ALTAR DE ADORAÇÃO, DESTRUÍDO A PEDRADAS.
AS JURAS INOCENTES EXPIRARAM.
RESTOU-ME EU.
NU. SÓ. DESAMPARADO DE MIM.
UM QUIXOTE ALONE.
UM FRÁGIL SEMBLANTE DE CAVALEIRO:
SEM ARMADURA,
SEM CAVALO,
SEM HOMEM.
UMA ESPERANÇA, APENAS.
E APENAS POR ISSO,
SER SOMENTE ESPERANÇA,
FALHA DE TUDO O QUE NÃO SEJA SUBJUNTIVO.
UM HOMEM.
SOZINHO.
PÉTREO.
ESTÁTUA DE SI.
UM HOMEM CONTRA TI, MULHER.
UM HOMEM ANTE O VULCÃO FURIOSO.
UMA CRIANÇA NO MAREMOTO.
UMA ALMA DESPENCANDO NO ABISMO.
EU, O ÚLTIMO SOBREVIVENTE DA RAÇA HUMANA,
ENCARANDO, NO HORIZONTE,
O METEORO DEFINITIVO.
E SORRINDO.
PRAZEROSAMENTE.

- Zé Ronaldo -

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Anatomia de um buraco negro


 
Anatomia de um buraco negro

O golpe foi certeiro
entre a décima terceira vértebra
e sua condição inexistente.

Agora era gêmea idêntica
do absurdo,
e irmã do infinito que se esconde
após a curva da última estrela-cadente.

Quando o Coelho Branco de Alice
lhe fez sinal, não o seguiu,
antes, o convidou a voar consigo,
pois seu mundo era ainda mais belo que o dele,
e lá ninguém cortava cabeças e nem asas.

Quando o ponteiro do relógio badalou as 13 vezes,
descobriu que ali o tempo era infinito...

Lilly Araújo
05/09/2017
22:31 h
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