sábado, 14 de julho de 2018

ENTREGA

ENTREGA


Retorno dos seus braços com o corpo repleto de hematomas e arranhões com que marcava a cada instante. Lembro-me de ter passado frio, à beira do seu rio, contando estrelas cadentes que você me ofertava na tentativa vã de me vencer. Deixei-me estar ao seu lado e adormecer, para então sonhar que eu contava estrelas cadentes aninhada em você.
Retorno dos seus braços, na certeza da suavidade que eu tanto precisava. Seu toque de algodão do cerrado, seus dedos gélidos de frescor da manhã, e o cor de rosa do pôr do sol nas suas pálpebras de brisa.
Retorno!
Porque sonhar o azul dos seus olhos profundos a me olhar do abismo, bem fundo, traz-me hematomas e dores que eu sempre quero comigo. A verdade, é que se entregar, é preparar-se para a dor das saudades, sem titubear.
Retorno!
Trago ainda a sensação líquida de você entre meus joelhos em genuflexão.
O amor. Ah, o amor vem carregado de perdão!
E nos perdoaremos por todas as saudades que hão chegar ( e chegaram): do cheiro; do toque; do paladar; do sorriso branco das suas espumas a me banhar...
Dia desses qualquer, eu pego a estrada aflita do desejo e vou de novo, em suas garras me arranhar.

Lilly Araújo 14/07/18
13:50h
(Para Chapada dos Veadeiros)







quarta-feira, 4 de julho de 2018

Escrever um romance




ESCREVER UM ROMANCE

Tenho tantos talentos dizem, mas,
meus olhos insaciáveis almejam sempre mais!
Se eu soubesse, por exemplo,
escrever um romance,
essas narrativas compridas,
que envolvem cenários bonitos e
personagens com características instigantes,
eu escreveria um todo para você.
Um romance bem romântico,
no mais fiel sentido do romantismo.
Mas como não sei escrever romance,
vou soltando essas palavras em forma de poesia,
que eu também não sei! <<


Lilly Araújo

sexta-feira, 29 de junho de 2018

TERAPIA


Tenho vícios espúrios e desconexos.
Um deles é ser viciada em amar o ato de amar.
Anos e anos gastos numa clínica de recuperação,
e o resultado, é o de ter voltado, amando tudo e todos de lá.

Eu amei a seringa; a enfermeira;
o colega do lado, viciado em bolinhas de gude;
e a Dona Gertrude,
que amava filmes de ETs,
desde que fora abduzida na infância.

Eu amei a distância!
Amei a saudade. A aula de arte.
E o fim de tarde, sentada no pomar.

Tenho vícios inventados e sem sentido.
Um deles é esse desejo, de estar sempre contigo.

Lilly Araújo

sábado, 23 de junho de 2018

TODO MEDO DO MUNDO



TODO MEDO DO MUNDO

Tenho medo!
Tanto medo que me encolho
sobre rochas escorregadias repletas de limo.
É noite eterna em minha alma,
ainda que sol a pino.

Tenho medo. Muito medo!
E ainda olho o horizonte perdidamente
em busca de um farol, que nunca mais!
A luz que me resta na mente, mente.

À beira-mar,
revolto mar, escuro mar bravio,
eu diminuo e me aninho.
Abraço meus braços gélidos e esquálidos
porque me falta a vida, no sopro do teu hálito.

Tenho medo. Tanto medo!!
Que não ouso mais dormir ou cochilar.
Tanto medo, que nunca mais pude sonhar.

E fico aqui,
no intermeio desse mundo onde habito,
que não entendo e nem me atrevo,
porque tenho um medo infinito.

Lilly Araújo – 05/04/18

domingo, 10 de junho de 2018

PREÂMBULOS




PREÂMBULOS

Teço longos preâmbulos para falar de sentimentos
proibidos desde sempre.
Falar disso é fraqueza imperdoável!
Eu, que sou afrontosa, aprendi a me driblar,
escrevendo poesias onde me desnudo
desavergonhadamente sem nenhum desvio.

É proibido se apaixonar!
É piegas se apegar,
e sonhar longas danças sob a chuva,
banho quente, vinho rubro e lareira estalando.

Eu que sou afrontosa ‘toda a vida’,
teço preâmbulos extensos
para falar de desejos densos e proibidos.
O termo ‘saudades’ resumiria tudo isso.

Lilly Araújo
10/06/18

sábado, 5 de maio de 2018

CARÍCIAS DE UM ABANDONO



CARÍCIAS DE UM ABANDONO

Há dias que não como.
A levedura fétida dos pães amanhecidos
me embrulham os sentidos todos.
Há um certo ar de um ‘quê’ não resolvido.
Questões cíclicas em torno do meu umbigo.

Há noites e noites e noites que não durmo,
sob o sol desse abandono que me queima
numa cama insone e gélida.

Há sempre esse revolver de regurgito em minha boca:
a falta do abraço cálido,  que me cale
esse clamor de autopiedade repetitivo.

Se estou só?
— não apenas isso— é que estou sem ti.
E isso é muito mais que eu poderia.

Há dias infinitos que não posso
sentir um orgasmo de flores desabrochando,
porque nesse limbo da penumbra,
eu só posso provar carícias de um abandono.

Lilly Araújo- 05/05/18

08:15h

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