quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Amor Virtual



 
AMOR VIRTUAL

Olho o Quintana caído sob a lateral de minha cama,
dois ‘quase-estranhos’ dentro do mesmo cômodo íntimo,
e na minha intimidade aquele ‘não-mais-estranho’,
longe do quarto e dentro das minhas entranhas.

Lilly Araújo- 20/09/17
09:04h

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

JAZ O SORRISO TÍMIDO


JAZ O SORRISO TÍMIDO.
DESCANSAM, OS SUSPIROS INGÊNUOS, ETERNAMENTE.
A VISÃO TROVADORESCA DE SUA IMAGEM REPOUSA NO ÚLTIMO ALTAR DE ADORAÇÃO, DESTRUÍDO A PEDRADAS.
AS JURAS INOCENTES EXPIRARAM.
RESTOU-ME EU.
NU. SÓ. DESAMPARADO DE MIM.
UM QUIXOTE ALONE.
UM FRÁGIL SEMBLANTE DE CAVALEIRO:
SEM ARMADURA,
SEM CAVALO,
SEM HOMEM.
UMA ESPERANÇA, APENAS.
E APENAS POR ISSO,
SER SOMENTE ESPERANÇA,
FALHA DE TUDO O QUE NÃO SEJA SUBJUNTIVO.
UM HOMEM.
SOZINHO.
PÉTREO.
ESTÁTUA DE SI.
UM HOMEM CONTRA TI, MULHER.
UM HOMEM ANTE O VULCÃO FURIOSO.
UMA CRIANÇA NO MAREMOTO.
UMA ALMA DESPENCANDO NO ABISMO.
EU, O ÚLTIMO SOBREVIVENTE DA RAÇA HUMANA,
ENCARANDO, NO HORIZONTE,
O METEORO DEFINITIVO.
E SORRINDO.
PRAZEROSAMENTE.

- Zé Ronaldo -

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Anatomia de um buraco negro


 
Anatomia de um buraco negro

O golpe foi certeiro
entre a décima terceira vértebra
e sua condição inexistente.

Agora era gêmea idêntica
do absurdo,
e irmã do infinito que se esconde
após a curva da última estrela-cadente.

Quando o Coelho Branco de Alice
lhe fez sinal, não o seguiu,
antes, o convidou a voar consigo,
pois seu mundo era ainda mais belo que o dele,
e lá ninguém cortava cabeças e nem asas.

Quando o ponteiro do relógio badalou as 13 vezes,
descobriu que ali o tempo era infinito...

Lilly Araújo
05/09/2017
22:31 h

domingo, 3 de setembro de 2017

A Proposta

 


A proposta

Eu topo!
Quando você existir, e insistir,
e persistir, e introjetar-se em mim.

Eu topo!
Quando você se diluir, assim,
quase sem conseguir continuar dono de si.

Eu topo!
Quando você topar se desconstruir,
e, Quimera, nos tornamos um,
para colher o porvir...


Lilly Araújo
2/09/2017 22:07
 

sábado, 19 de agosto de 2017

Insistência

 
Insistência

Tomo meu café.
É fim de tarde.
Sempre meu café
e a minha saudade.

É sempre o café
e o seu doce-amargo,
e na alma a amargura
de estar viva, de estar só,
de estar sem ti...

O café e a insistência
em existir.

Lilly Araújo- 19/08/17

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

A Doida

A Doida

A Noite passa, noivando.
Caem ondas de luar.
Lá passa a doida cantando
Num suspiro doce e brando
Que mais parece chorar!

Dizem que foi pela morte
D’alguém, que muito lhe quis,
Que endoideceu. Triste sorte!
Que dor tão triste e tão forte!
Como um doido é infeliz!

Desde que ela endoideceu,
(Que triste vida, que mágoa!)
Pobrezinha, olhando o céu,
Chama o noivo que morreu
Com os olhos rasos d’água!

E a noite passa, noivando.
Passa noivando o luar:
“Num suspiro doce e brando,
Pobre doida vai cantando
Que esse teu canto, é chorar!”

- Florbela Espanca-

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Proposta indecente


Esses dias estava passando “Jurassic Park”, e me lembrei de uma ‘máxima’ que ouvi no filme e me marcou: — A vida sempre encontra um jeito! — disse um dos cientistas, em contraponto a que o fundador do parque afirma em estar no controle por ter ‘produzido’ apenas dinossauros de um dos sexos (fêmeas, se não me falha a memória), para evitar assim que se proliferassem indiscriminadamente.

Hoje, essa frase verdadeiramente me irrita, porque eu penso que na morte temos um ponto intransponível de dúvidas eternas, uma barreira que se interpõe sem que tenhamos qualquer escolha entre ir ou ficar, é um rasgo abismal entre os que morrem e os que vivem, e que nunca é recebido de bom grado. E há sempre a dor, e a inconformação e o luto. Nós, o que ficamos, passamos de lágrimas a porquês, sem aviso prévio e nem respostas que amenizem o sofrer.

O que mais tem me indignado no presente momento, é pensar que, passado algum tempo, quando a ferida ainda está viva, e enquanto ainda posso chorar e me entristecer sem ser censurada, a vida vai exigir que eu continue, que eu retome meus afazeres, que eu encontre novos motivos para sorrir, e para querer viver.

“A vida encontra um jeito” (de continuar) para nós, os enlutados. 

Estou achando terrível que eu volte a sorrir depois de planos em parceria que foram rasgados abruptamente, sem uma gota de piedade. Acho injusto que eu volte a sonhar e fazer outros planos. 

— Pensar em um ‘outro alguém' no lugar dele? — acho uma proposta indecente!

Lilly Araújo - 08/08/17
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