sábado, 30 de abril de 2016

War



Deixo-me fotografar por mim mesma,
a self mostra uma casca
um pouco abatida
um tanto confusa
e um tanto feliz.

Nos espelhos da minha alma
agora a pouco escorreram
mais que diamantes liquefeitos,
escorreu uma dor profunda
do meu peito.


Há uma guerra interna
em andamento,
e eu, que sou péssima estrategista,
estou apenas tão assustada.

Mas não sei se posso recuar,
não sei se quero recuar,
não sei se devo.
— It is a war

A luta travada entre
todos esses sentimentos,
e eu estou tão assustada...

Me escorrem todos os medos
pelas janelas do meu peito.
Sou líquido.
Sou olhos insone...

It is a war!
I'm so scared.
So confused.
So alone.

Lilly Araújo 30/04/16
(12:39h)


Líquen


Líquen

Eu sabia que iria chorar...
Tenho descoberto
que meu estado físico real
é mesmo o líquido.

Eu me liquefazendo
enquanto me afogo em
mim mesma.

Mas não aceito menos da vida
que isso: o tudo
o profundo, o absoluto.

Não sou protocooperação!
Na simbiose eu sou mutualismo,
algas agarradas a fungos
sem outra opção  que a total
co-dependência inseparável:
— Os líquens.

Sou Líquen!
Estou me liquefazendo
por você...

Lilly Araújo. 29/04/16 

Colisão



Colisão

Quando eu desaparecer,
terei deixado tanto de mim pra você,
que terá taças de vinhos
para se embriagar por mil vidas.

Quando o tempo chegar e
for uma rachadura entre nós,
então você descobrirá
que eu sempre estarei aí,
entremeada entre laços e nós.

Quando o inevitável parir sua foice
a colher estrelas entre a humanidade,
teu peito e tuas mãos
serão a minha eternidade.


Quando o fim inevitável chegar,
e se chegar...
(...)

Mas para que falar de amanhã,
essa figura inexistente que tenta
explicar o tempo de forma linear?

O tempo é hoje,
o lugar é o agora,
esse instante de mil pulsações,
esse colidir atômico e surreal
entre dois corações.

Lilly Araújo  29/04/2016 (11:06h)





quinta-feira, 28 de abril de 2016

A relatividade e o tempo



A relatividade do tempo

O tempo pode ser o ‘Canto da Sereia’ que te prende em seus braços e te mantém assim, para sempre hipnotizado, e que desfila num cenário que talvez seja o paraíso onde o tempo simplesmente não existe.
O tempo pode ser o de um segundo, ou milésimos de milésimos de um segundo, onde dois elétrons se encontram e se se fundem em completa sincronia na dança das órbitas espaciais. Também pode ser o feixe de próton tão ínfimo para leigos, tão ignorados, mas que deixa sua marca para sempre num coração desavisado...
Mas o tempo... Ah!!! Esse poderoso deus que fulgura entre os olhos crentes, entre os olhos ateus, pode vir num resplendor inimaginado, em um piscar de olhos, deixar tudo no passado.

O tempo é mestre. É um nobre professor que nos ensina que o que ontem nos fez chorar, hoje nos causa escárnio, e talvez apenas um comichão de cócegas, porque o tempo é o exímio jogador de xadrez, que vira o jogo num repente e põe tudo que antes era perda ou dor em xeque-mate.

O tempo é essa sensação individual e mutante, que voa se estamos felizes, mas se eterniza em momentos extasiantes.
O tempo é esse segundo eterno, que cabe entre o cruzar de dois olhares que nunca mais serão os mesmos daqui em diante...

O tempo é bicho solto que um dia tentaram prender numa caixa cíclica chamada relógio, inventada por semideuses egoístas com a pretensão de nos manter em ritmo constante, assim como o timoneiro em suas pancadas para ditar o ritmo do remador...

Mas o tempo só vale mesmo se esquecermos dele para morrermos de amor!


Lilly Araújo 28/04/16 (8:24h)


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Suas Poesias



Suas Poesias

Eu estou aqui só pra te dizer
que todos precisam saber
que meu mundo fica mais belo
porque existe você.

Você não acredita em mim.
Eu sei!
Às vezes eu mesma me custo a crer...
Já me acusaram de ser exagerada antes
e poetisa surreal. Eu sei!

— Mea culpa!

Mas creia em mim, Baby,
Eu sou mais que isso!

Eu sou menina assustada,
que enfia os pés pelas mãos,
que não sabe refrear o coração,
esse cavalo selvagem e arredio,
disparado em loucas cavalgadas rasgando
a estrada querendo chegar ao seu destino.

Desculpa se eu te desnudo
em minhas palavras,
mas é que para você hoje
estou com a alma nua.
Sendo louca,
sendo poeta... sendo sua

Componho agora,
desenfreadamente para você,
essas palavras extasiantes,
que se não as escrevo
preciso morrer.

Lilly Araújo 26/04/14

(17:34h)

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Ave


Ave

Colibri.
Sou colibri do amor,
tua rosa é rosa intrusa,
e rosa estranha,
e multicor.

De vento em vento me vou,
e pouso onde me apraz,
e voo quando assim desejo,
mas tua rosa apenas é a que vejo.

Ave que seduz?
Ave seduzida?
Sem respostas em minhas dores,
sou apenas confusão de sabores.

Sou beija-flor que vem e quer pousar,
com vontade de ser par.
Colibri esgotado de voar sozinho,
ave procurando o ninho.

Lilly Araújo 25/04/16 (21:57h)





Diálogo do medo

 



Diálogo de medo

— Você tem medo, menina?
— Todos. O tempo todo!
— Me fale sobre eles!
— Não sei se conseguiria. É uma nudez desconcertante. Dessas que não rendem clicks. Essa nudez que ninguém quer, que não vende capa de Play Boy, e não se transforma em viral. Essa nudez flácida e desconcertante, que expõe tetas moles e assimétricas, gorduras deslocadas e estrias mal-amadas.
Meus medos são medos corriqueiros de qualquer ser normal. Mas sinto que, multiplicado em átomos frenéticos e indisciplinados, podem virar uma bomba qualquer instante...
Meus medos são medos quaisquer... Esses medos de toda mulher... mas não apenas isso...
Tenho medo de não voar. Tenho medo que voando minhas asas cansem sem ter onde pousar...
Tenho medo do medo me anular de vez e eu nunca mais ser eu mesma... Tenho medo de tentar AGAIN e falhar, e tenho medo de não tentar...
Tenho medo do coito que não veio, e que vindo me mataria de vez...
Tenho medo de morrer “sob diamantes liquefeitos escorrendo pelos espelhos da alma” e que, despejados sobre mim, façam parar meu coração. E o medo maior de nunca poder satisfazer tal ambição.
— Você tem muitos medos, menina!
— Eu tive medo que você notasse o quanto sou medrosa e não mais me amasse.

Lilly Araújo 25/04/16 (09:01h)
 

sábado, 23 de abril de 2016

Papo estelar



Papo estelar

— Você se sabe?
Homo sapiens que é!
— Você se enxerga?
Sendo homem ou mulher...

— Você se sabe?
Foi o que me perguntaram dia desses...
Refleti insistentemente até completar:
— Hoje eu me sei amar!

Entre cosmos e pó de estrelas,
e amebas e vírus,
e príons e átomos...
Sou apenas uma estrela produzindo ferro,
e meu elemento suicida
e  autofágico é o AMOR...

— Você se sabe?
Sim... me redescubro
todo dia, toda manhã,
a cada verde solar,
a cada novo acordar.

Me sei sendo nada, e sendo tudo,
um ser raso e profundo,
o pó da poeira,
um espirro do mundo.


Lilly Araújo 23/04/16

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Taça

Taça

Oferece-me uma taça de vinho,
e imagino-o imediatamente tinto,
rubro, como o sangue nas veias a ferver.

Brindo com taça de cristal
a você, que me oferece,
talvez sem saber,
à artesã o sisal.

Tim-tim!
Um brinde a você e a mim.
A nós, que nos embriagamos em
palavras ditas em versos,
de desejos puros ou perversos!

Lilly Araújo 21/04/16 (23:50h)

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Noturna




















Noturna

Agora, estava tudo silencioso!
Não teria que suportar mais o zumbido da tv, nem as conversas tediosas alheias, ou o bater de panelas às suas costas. Enfim, o mundo todo parecia dormir (quase todo!).
Os grunhidos eram aqueles familiares aos seus hábitos noturnos: roncos, hélice de ventilador e percepção aguçada dos motores de geladeiras e freezers...
Já podia ser o que mais gostava: — Ser ela mesma, brincando de faz-de-conta!
Na mente, nada mais saltava tão claro como aquela única vez nos braços dele. Iria saborear cada lembrança, entre goles de lascívia e prazer. Renovar aos ouvidos os sons tímidos e murmurantes do durante. Sorrir de si mesma ao relembrar o embaraço mútuo, que se somava às mãos trêmulas de ambos que se desencontravam, procurando pouso um no outro, mas sem ter certeza de onde, quando tudo começou...
Supôs que era o momento propício, e que nessa calmaria ambiente, nada ficaria entrecortando suas lembranças, já meio anuviadas pelo tempo transcorrido desde então.
Ela se esforçou para sentir o cheiro de pele suada de ambos a embolar-se entre os lençóis, mas foi em vão. Passou a tentar sentir o calor que aquela mão máscula transmitiu ao se entrelaçar à sua pela primeira vez, em vão! Lembrou-se das curvas de cada gomo de seu corpo muito bem torneado, e quase conseguiu sentir a textura de seus músculos rijos, mas foi apenas quase!
O que restava de palpável era apenas cenas embaralhadas e nada fidedignas do que se passou naquele dia.
Restava ainda o papel e a caneta, e toda madrugada adentro.
Noturna que era, pôs-se a escrever.

# Lilly Araújo 08/10/15


quarta-feira, 20 de abril de 2016

Pintura by Lilly Araújo

Bom, a história dessa pintura é a seguinte, eu estava futricando o photoshop fazendo uma capa no tema né, e saiu uma pintura bem legal, daí pensei :-Uai, será que eu sei pintar??!-
Então fui tentar de novo e saiu isso. (com direito a umas outras variações).
Hoje, com uns memes que estão rolando por aí sobre uma "primeira-dama" que é :  #belarecatadaedolar (urggh), me senti inspirada a postá-la.
Eis aí minha pintura RECATADA!

P.S.: a matéria em questão http://www.cartacapital.com.br/politica/bela-recatada-e-do-lar-materia-da-veja-e-tao-1792


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Divagações sobre minha solidão...



Divagações sobre minha solidão...

Num mundo de internet, celulares, ‘facebook’ e outras inúmeras ferramentas de comunicação, eu fico me perguntando como ainda pode haver gente isolada e sentindo solidão?
Esse meu estado de ‘solteirice’ há aproximadamente dois anos me levou a refletir se estou sendo honesta comigo mesma. Se é mesmo uma opção limpa e idônea, ou se, de alguma forma, está havendo uma auto sabotagem quanto a “novas escolhas”?
Não é que eu não conheça gente interessante, eu até conheço, mas surge sempre um entrave. A maioria das pessoas interessantes está ocupada. Pessoas desocupadas e interessantes estão traumatizadas, e não querem nada com romance. Pessoas sérias, desocupadas, e que querem romance; ou moram muito longe, ou infelizmente, por motivos que só o coração entende, não conseguem sair de minha ‘friendzone’.
Porque se apaixonar tem disso também, a gente fica meio a mercê dos batimentos cardíacos descompassarem ou não frente ao candidato. Mas o problema se estende por outros caminhos sinuosos ainda, por exemplo, quando tudo se encaixa, o papo, o beijo, o cheiro, aquele sorriso luminoso, mas, de repente, depois de alguns encontros, apenas desanda... Assim, sem nenhuma explicação plausível ou aviso prévio. (...?)
Estou carente esses dias, eu confesso, mas preciso de um abraço que abrace minha alma. Acho que estou exigente demais. Mas não consigo me conformar com menos.
Acredito que está mais fácil a corrida de espermatozoide que desencadeou meu processo de existência, do que essa outra corrida, pela minha cara-metade que possa suprir essa carência.

Lilly Araújo 04/04/16


Amnésia

Amnésia

Você lembra que eu tinha dedos nervosos?
Não os tenho mais...
Amputei um a um,
a cada nova dor de todos meu “ais”.

Você se lembra que eu fazia
de tudo para chamar sua atenção?
Agora eu apenas sento e me calo
em meio à solidão.

Você se lembra?
— Não, eu acredito que não.
Você apenas me esqueceu num canto,
como um cartaz de um filme tão esperado,
que depois de assistido perde o sentido...

Você não se lembra.
— E agora eu sei!
Gostaria de não me lembrar também.
Essa maldita amnésia que não me vem!

Lilly Araújo 04/04/16


domingo, 3 de abril de 2016

Projeto SOS Terra- Reportagem


Nosso amigo, escritor e jornalista João Preda, fala hoje sobre o Projeto SOS Terra - Arte em Prol da Ecologia, que terá lançamento do livro no próximo dia 14.
Além da felicidade de fazer parte dessa equipe, hoje ainda tenho a satisfação de deparar com um poema meu citado nessa reportagem.

Parabéns a todos empenhados e obrigada!
Leia a matéria com boa definição no link 

terça-feira, 29 de março de 2016

BILHETE






Do meu talentoso e sensível amigo Dário Banas!!

BILHETE

Eu sabia que você vinha. A luz da frente está acesa, a porta só encostada, tudo pronto antes mesmo de te conhecer. Se eu estiver dormindo, tem umas coisas pra ti debaixo do teu travesseiro. Tem um bocado dos meus sonhos, que embora gastos eu gosto muito. Tome bem conta deles, até porque, você conhece alguns por estar neles. De felicidade, ainda sobrou um pouco, e quero que pegue tudo pra ti, porque assim também terei. Alegria tem bastante, e como sei que você traz mais, vai ser bom porque teremos um montão. A tristeza que tem eu escondi, pra jogar fora quando você não estiver olhando. E tem umas outras coisinhas: confiança, sinceridade, que eu deixei aí, mas são pra usarmos juntos, viu? Ah, e tem amor, que eu tenho sobrando. Como eu sei que você também tem, pensei que poderíamos trocar, pra não ficar sem. Se o travesseiro estiver muito alto, se ajeite comigo, tem sempre lugar pra ti.


PS - Não me chame, me deixa o prazer de te acordar com um beijo.




sábado, 26 de março de 2016

Esquecimentos




















Esquecimentos

Desculpe-me,
eu me esqueci de você!
Não sei se por culpa minha,
ou por sua culpa.

Não falemos em culpas então,
mas é que o tempo
anda agora mais corrido que outrora,
e o ponteiro do relógio,
em puro frenesi.

Desculpe-me,
se não estás mais aqui,
vívido na memória,
e ávido no meu peito.
É que muitas noites geladas
se passaram no meu leito.

Os minutos escoaram
sem um alô, sem um talvez,
sem um sorriso,
sem um traço teu qualquer,
e foi aí que eu me esqueci
que era a tua mulher...

Desculpe-me,
mas não estou mais nua.
Cobre-me o tecido da censura,
com estampas de um ser amedrontado.

Estou “gato escaldado”,
com medo de água fria,
com medo de amor,
com medo de magia...

Eu me esqueci do gosto,
do cheiro, do descompasso,
da perna bamba e a boca fria
naqueles quentes momentos.

— Estou vivendo apenas de esquecimentos.


Lilly Araújo 24/03/16

terça-feira, 22 de março de 2016

Pequenas considerações sobre valorização própria



Pequenas considerações sobre valorização própria

Bem, minha reflexão nasce após a retomada de leitura de um livro.
Considerando o tamanho da obra em questão, creio que eu tenha chegado ao capítulo referente à 1/6 deste livro quando o abandonei. Hoje, retomando a leitura, a partir do primeiro capítulo, é claro (devido ao tempo prolongado da pausa) eu me deparei com um prazer tão estupendo, que custo a crer que uma vez tendo começado tal história, eu tenha sido capaz de deixá-la de lado, ou melhor dizendo, que tal leitura me seja hoje tão completa e satisfatória, que a única explicação para meu desdém para com ela em um momento anterior, seria o fato de que eu é que não me encontrava pronta para sua magnitude.
Da mesma forma que o ocorrido deixou-me desconfortável por um lado, por outro oposto, penso que foi uma boa oportunidade de refletir, quase que filosoficamente, mas de forma bem palpável, que na nossa vida cotidiana, o exemplo em questão se repete inúmeras vezes sem nos darmos conta, e a reflexão de tal âmbito poderia nos livrar de várias falsas impressões que acabamos por levar de si mesmos.
O que estou tentando explanar aqui é simples, e se trata de algo que, apesar de subjetivo, tem grande poder de atuação sobre quase todos, para não dizer todos, seja em uma maior ou menor proporção. A palavra que melhor descreve este estado “psicossocial” a que estou me referindo é REJEIÇÃO.
Se considerássemos com tanta lucidez, com a que cheguei hoje, após a ocorrência deste fato acima descrito, de que muitas vezes a rejeição não é um referencial de valoração ou desvalorização de um objeto, ou mesmo um indivíduo, mas que muito provavelmente, esta, se preste à função inconsciente de aferição do ser que está praticando o ato e não o contrário. Ou seja, a rejeição pode se prestar ao papel de apontamento da capacidade do “ser que rejeita”, e não ao contrário. Exemplificando: Um objeto ou uma pessoa será rejeitada não por estar aquém de suas expectativas, mas por estar exatamente além (parecer aos seu olhos boa demais) causando assim a sua recusa em obtê-la.
Vejamos bem, no caso do exemplo citado, não era minha impossibilidade de ler a obra que me fez rejeitá-la, por não ter acesso à mesma, ou por não compreender a língua em que estava descrita, ou outro impedimento qualquer, mas tão simplesmente, o fato de que eu não me encontrasse num momento de maturidade ou paz de espírito necessário ou outra definição equivalente, que me permitisse perceber a oportunidade que me estava nas mãos.
Dessa forma, depois de uma curta reflexão, me veio a iluminura da compreensão de que, várias experiências de rejeição, pelas quais fui submetida no decorrer da vida, na verdade não se tratavam de mim, mas sim da capacidade do “ser rejeitador”, de compreender ou valorizar o que estava em seu “acesso”, por assim dizer.
E isso é um passo muito significativo para cura de várias crostas arquivadas nas emoções, não somente para minha experiência pessoal, mas podendo e devendo ser estendida a todos demais, pois uma vez vivos, e participantes dessa complexidade mental que possuímos, nós, os seres humanos, biologicamente classificados Homo sapiens sapiens exatamente pela consciência que temos de si mesmos.
Sem mais delongas, um “viva” a esse dia memorável, quando filosofia, psicologia e literatura se fundiram diante de meus olhos para apontar a possibilidade de uma cura de experiências traumáticas a que nos expomos dia a dia.

P.S.: O livro em questão trata-se do “Quando Nietzsche Chorou”, do autor Irvin D. Yalom, do qual alcancei apenas o primeiro capítulo antes da pausa para escrever essas impressões que me causaram.


#Lilly Araújo  16/02/16.


segunda-feira, 21 de março de 2016

Estação Outono



Outono é a estação do ano que ocorre após o verão e antes do inverno, sendo assim considerado como um período de transição entre essas duas estações antagônicas. No Hemisfério Sul, o início do outono ocorre entre os dias 20 e 21 de março e o seu término acontece entre 20 e 21 de junho.

Deixo algumas poesias em homenagem a ele, o  OUTONO!

OUTONO
J. G. de Araújo Jorge

O céu perdeu o azul - vestiu-se de cinzento 
e envolveu na neblina a luz baça do luar...
- na alameda onde vou, de momento a momento,
há um gemido de folha a cair e a expirar...

O arvoredo transpira as carícias dos ninhos,
e o vento a cirandar na curva das estradas
eleva o folhareu no espaço em redemoinhos...

Há um córrego a levar as folhas secas em bando...
- e à aragem que soluça entre as ramas curvadas,

parece que o arvoredo em coro está chorando!...

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CANÇÃO DE OUTONO
Cecília Meireles

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles
que não se levantarão...

Tu és folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,

menos que as folhas do chão...

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É OUTONO

Amo o mês de maio.
Amo esta estação romântica que
o acompanha: - É outono!
Outono de dias frios ensolarados.

Quebro a inércia do meu ofício
de escritora e levanto
para contemplar de minha janela
a natureza tão próxima e tão bela.

E as árvores defronte minha casa
até parecem querer-me confundir, com
tantas flores, se assemelham às primaveras,
neste cenário monocor de flores amarelas.

Então rompo a minha calçada e
paro sob raios tênues do tímido sol.
E aqueço os pés gelados, comuns nessa estação,
enquanto cheiro as flores, aquece também meu coração

É outono!
Amo ter os pés gelados e ouvir o som das
noivas que se multiplicam nesse mês de magia.
Parece-me agora que tudo é paz e calmaria.

©Por Lilly Araújo-
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