
Diálogo de medo
— Você tem medo, menina?
— Todos. O tempo todo!
— Me fale sobre eles!
— Não sei se conseguiria. É uma nudez desconcertante. Dessas
que não rendem clicks. Essa nudez que ninguém quer, que não vende capa de Play
Boy, e não se transforma em viral. Essa nudez flácida e desconcertante, que
expõe tetas moles e assimétricas, gorduras deslocadas e estrias mal-amadas.
Meus medos são medos corriqueiros de qualquer ser normal.
Mas sinto que, multiplicado em átomos frenéticos e indisciplinados, podem virar
uma bomba qualquer instante...
Meus medos são medos quaisquer... Esses medos de toda
mulher... mas não apenas isso...
Tenho medo de não voar. Tenho medo que voando minhas asas
cansem sem ter onde pousar...
Tenho medo do medo me anular de vez e eu nunca mais ser eu
mesma... Tenho medo de tentar AGAIN e falhar, e tenho medo de não tentar...
Tenho medo do coito que não veio, e que vindo me mataria de
vez...
Tenho medo de morrer “sob diamantes liquefeitos escorrendo
pelos espelhos da alma” e que, despejados sobre mim, façam parar meu coração. E
o medo maior de nunca poder satisfazer tal ambição.
— Você tem muitos medos, menina!
— Eu tive medo que você notasse o quanto sou medrosa e não
mais me amasse.
Lilly Araújo 25/04/16 (09:01h)
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