Mostrando postagens com marcador Lilly Araújo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lilly Araújo. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de junho de 2018

PREÂMBULOS




PREÂMBULOS

Teço longos preâmbulos para falar de sentimentos
proibidos desde sempre.
Falar disso é fraqueza imperdoável!
Eu, que sou afrontosa, aprendi a me driblar,
escrevendo poesias onde me desnudo
desavergonhadamente sem nenhum desvio.

É proibido se apaixonar!
É piegas se apegar,
e sonhar longas danças sob a chuva,
banho quente, vinho rubro e lareira estalando.

Eu que sou afrontosa ‘toda a vida’,
teço preâmbulos extensos
para falar de desejos densos e proibidos.
O termo ‘saudades’ resumiria tudo isso.

Lilly Araújo
10/06/18

sábado, 14 de abril de 2018

ANÚNCIO URGENTE

ANÚNCIO URGENTE
Procura-se uma alma.
Uma alma que não esteja hipotecada.
Pago um bom preço,
tenho economizado por toda um vida.
Procuro uma alma com aura verde.
Verde de esperança de um recomeçar.
Pode ser aura rosa também,
que é minha cor predileta.
Pensando bem,
pode ser aura de qualquer cor,
desde que não seja desbotada,
preciso de uma cor vibrante e profunda.
Procura-se uma alma urgente!!
Que não esteja ocupada,
arrendada,
alugada,
abandonada,
desgastada,
despedaçada ...
O corpo em que ela habita é o que menos importa,
estou farta de bundas,
pernas e bocas sem almas.
Preciso de uma alma inteira para eu morar.
Pago bem!
Tenho a minha própria alma para ofertar-lhe também.
Lilly Araujo-12/04/18

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Morada

De todas as saudades que eu sinto, a que mais me afugenta o sono, é o desejo de morar dentro de você!

Lilly Araújo 26/12/17
23:58h

domingo, 17 de dezembro de 2017

Noite curta

Noite curta

Quando a noite não for o suficiente para me engolir,
eu engolirei a madrugada
com gosto de tequila e sal,
e de fumaça de cigarro e incenso,
e sarro escondido no banheiro úmido de prazer.

Quando a noite for curta demais,
eu atropelarei as placas que dizem proibido estacionar,
e todas as demais que queiram me proibir,
seja do que quer que for,
porque a ordem da vez é seguir meu coração,
esse doido varrido,
que me aponta para cumes que eu temo escalar.

Quando a noite já não mais for,
eu ainda serei,
torta, densa, descompensada,
rasgada de desejo e de sussurros habitada.

16/12/16
Lilly Araújo
00:30h

domingo, 10 de dezembro de 2017

Sobre Esperança na Fenestra do Ocaso


Te beijo com os lábios de uma Poeta perdida em um pôr-do-sol que não vigorou. Margeio  oceanos salgados, aos quais acrescento mais sal: os das minhas ininterruptas lágrimas de um ocaso mal sucedido.
Vagueio, como um barco à deriva, numa noite sem luar para servir de luminária dos apaixonados. Não há sequer estrelas nesse limbo onde minha alma foi condenada a perambular, enquanto canta com a boca murcha sons de um coração despedaçado, desajeitado, e bêbado de solidões.
Ainda sonho com o Paraíso, apesar de tudo, é como se a luz da esperança tentasse romper uma pequena fenestra, e por fim, oferecer-me algum alívio. Nessas poucas vezes, eu posso jurar ouvir teu pintassilgo cantar poesias para mim, então eu me acalmo e adormeço...
Acordo mil anos depois. Ainda limbo. Ainda nevoeiro. Ainda saudades. E na fome de mais uma gota de absinto, que possa haver nas palavras do Poeta, que também é Profeta, eu me obrigo a retornar ao caminho da procura. Sempre à procura. Uma busca sem fim!
Te beijo, com vontade de coisa alguma, apenas de me encontrar um dia.
Ass.: MARIA
{Lilly Araújo-  09/12/17}

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Melancolia

Não sei se sei cuidar da minha alma. Único bem que tenho que é transcendental a essa vida efêmera.
TEMPUS FUGIT. CARPE DIEM!
E mesmo com todos os alertas na língua erudita, eu não posso obedecer.
Afogo minha alma em melancolia, irrigo suas veias em todo meu estado líquido e denso, intermitente e confuso. Quando não o faço,  não sou mais eu e não me reconheço. Perturbo aos que suportam minha presença com meu mutante humor; ora riso, ora pranto, ora extravagância, ora mudo/surdo/daltônico.
Volto a escrever inutilmente apenas para não ter que verbalizar minha dores banais. Poupo os ouvidos daqueles que não precisam me ouvir, ao mesmo tempo que poluo as vistas daqueles que ousam ler esse amontoado de coisa alguma.
Quero um bosque só pra mim, e mergulhar todos os dias no Walden. Invejo Thoreau! Sou covarde demais para largar tudo (o que nem tenho) e me entregar para o que realmente necessito.
Como eu disse: - Não sei cuidar da minha alma! - E sigo mergulhando-a em melancolia, enquanto sonho arco-íris desbotados na minha retina que descolou-se no último golpe do destino.

Lilly Araújo - 24/11/17
10:10h

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Reflexos de uma tosse

Tossia intermitentemente no decorrer da semana, ao cair do sexto dia pensava em morrer, aliás, em não morrer. Depois de tantos anos flertando descaradamente com a morte, e  tantas vezes apelando para seu gélido beijo, agora se pegava surpresa ao pensar que não a queria mais. A paixão havia passado. Concomitantemente fora substituída pelo almejar de um outro beijo, desta vez quente, mas igualmente fatal, meteórico e definitivo.
Pensava em morrer em meio aquele silêncio intercalado pela tosse seca, pensava em não morrer, aliás. Ainda não. 
Ainda não!

Lilly Araújo – 15/10/17
21:20h

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Amor Virtual



 
AMOR VIRTUAL

Olho o Quintana caído sob a lateral de minha cama,
dois ‘quase-estranhos’ dentro do mesmo cômodo íntimo,
e na minha intimidade aquele ‘não-mais-estranho’,
longe do quarto e dentro das minhas entranhas.

Lilly Araújo- 20/09/17
09:04h

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Anatomia de um buraco negro


 
Anatomia de um buraco negro

O golpe foi certeiro
entre a décima terceira vértebra
e sua condição inexistente.

Agora era gêmea idêntica
do absurdo,
e irmã do infinito que se esconde
após a curva da última estrela-cadente.

Quando o Coelho Branco de Alice
lhe fez sinal, não o seguiu,
antes, o convidou a voar consigo,
pois seu mundo era ainda mais belo que o dele,
e lá ninguém cortava cabeças e nem asas.

Quando o ponteiro do relógio badalou as 13 vezes,
descobriu que ali o tempo era infinito...

Lilly Araújo
05/09/2017
22:31 h

domingo, 3 de setembro de 2017

A Proposta

 


A proposta

Eu topo!
Quando você existir, e insistir,
e persistir, e introjetar-se em mim.

Eu topo!
Quando você se diluir, assim,
quase sem conseguir continuar dono de si.

Eu topo!
Quando você topar se desconstruir,
e, Quimera, nos tornamos um,
para colher o porvir...


Lilly Araújo
2/09/2017 22:07
 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Dura certeza



Dura certeza

Choro mais que as lágrimas conseguem brotar,
e mais que as hastes possam sustentar
a desestrutura do agora.

— Por que choras pobre menina?
Pergunta a voz do que não ouve.

Choro a perda irreparável
do cantor sem sua voz;
do pintor sem os dedos;
do louco que se curou,
e não sabe continuar...

Choro os dedos extirpados das fiandeiras,
e o pintor que não tem mais os seus pincéis,
o choro da bailarina sem seus pés.

Eu choro, porque agora,
eu sou eu sem eu mesma,
nessa dura certeza
que você jamais!


Lilly Araújo - 07/08/17







sábado, 29 de julho de 2017

TREZE

 

TREZE

Tenho te ligado a todo instante,
uma média de treze vezes por minuto,
para cada um dos três números teu que tenho,
e todos estão mudos e surdos.

Faz treze dias que não te vejo,
e que tu não me vês, ou me cheiras,
ou me ouves, ou me sentes, ou enxergas,
ou me ressuscitas...

Aqui jaz, nessa sepultura do silêncio,
há treze dias, minha tatuagem desbotada
dos meus treze pássaros,
minha pele escurecida, minha própria vida.

Ainda ressoa a tua mentira no ar:
— Eu vou aí, hein!
Como costumavas me ameaçar...

E na contagem estática do meu mundo inerte,
amanhã também será treze dias,
esse número que me persegue,
que me enlouquece,
e me possui por inteira.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Amanhã, quem sabe tu?

Lilly Araújo - 29/07/17

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Fragmentada


Fragmentada

O relógio quer que eu acompanhe seus ponteiros,
os teclados insistem para que eu os acaricie,
a música murmura segredos que não quero entender,
eu só quero deitar e esquecer.

Todos querem um pedaço de mim!
O cão abanando o rabo;
o pés da mãe que pedem massagem, exaustos;
o agente de saúde que finge fiscalizar se há água parada
para combater do mosquito da dengue,
mas que no fundo, assim como eu,
quer apenas agitar suas próprias águas paradas:
— As da alma!

Todos querem um pedaço de mim!
E eu já estou tão nada,
que não me sobra causa alguma para lutar.
Transformo-me em riso branqueado à força,
só para sorrir para o público da vez.

Não sei qual parte de mim está mais insossa,
porque eu-aos-pedaços
não caibo em nenhum espaço,
em nenhum abraço...

E todos continuam a exigir de mim.
Quisera eu evaporar no espaço,
e negar a todos o que todos me negam:
— dar-me de si mesmos um pedaço!

Lilly Araújo – 26/07/17
20:50h

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Apatia



 
Apatia

Hoje ninguém me tirará de dentro de mim.
Quero o aconchego do toque do cetim,
o abraço soturno das penas da graúna,
e o silêncio gélido da criatura noturna.

Amanhã não sei mais se será assim como outrora,
ou se os sonhos se desvanecerão na aurora,
por hora, isso é tudo que quero estar: - perdida no breu;
no dentro; no fundo; no impenetrável do eu.

Hoje eu quero me resfolegar no vinho tinto,
despedaçar sem piedade a minha taça,
e deglutir o paladar do absinto.

Amanhã talvez nasça outro desejo proibido,
e se me vêm outros ares de graça,
eu finjo que sou uma criança a brincar na praça.

Lilly Araújo
24/04/17

domingo, 5 de março de 2017

Meu charuto

 
Meu charuto


Meu charuto mudo
me escuta atento a cada trago,
mas é ele quem me absorve
em minhas confissões desatinadas,
e nunca diz nada.


Meu charuto saborizado,
com gosto de chocolate,
me diz que a vida
não tem esse mesmo gosto,
a vida, meu amigo, bate.

E ele, resignado como eu,
aceita ser consumido
pela ponteira vermelha
da chama que o queima,
e o mata, e o dilacera.

Ele aceita o seu destino
de ser o que é.

Meu charuto mudo,
se sabe. Se aceita.
Já eu, verborrágica que sou,
vou tagarelando dúvidas
e palavras estúpidas
que ouso chamar de poesia,
e são apenas rabiscos que falam,
nem de tristeza, nem de alegria.

Lilly Araújo 11:45
04/03/17

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Das tormentas da vida

 
Das tormentas da vida


O vento me chegou tormenta,
levantou-me dos chão
com suas asas violentas,
depois de algum tempo
pousou-me em águas azuis.
Água e vento e são me coisas essenciais
para apaziguar minhas dores,
mas o tempo, este é tudo!

Lilly Araújo 21/12/17
10:00h

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Imperativo





















Em meio a tantas frases imperativas que eu quis gritar, sussurrei-te apenas essa:
- Entranha-me!

》 Lilly Araújo-02-02/17

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Sou filha da mãe



 
Sou filha da mãe


Sou filha da mãe.
Filha da puta,
que puxa a carroça encarcada pra um lado
por levar todas as cargas,
e enfrentar vários sois ainda por vir,
e que se esconde no céu em cada lua nova
para chorar baixinho enquanto finge sorrir.

Eu sou filha da mãe!
Filha da luta!
Que limpa com uma mão o resto de parto,
e com a outra, mexe a massa do salgado,
pra não deixar morrer de fome
nenhum dos vermizinhos que pariu.

Eu sou filha da mãe gentil,
que com a cinta na mão, tantas vezes,
me deu o brio na cara que muitos não têm,
que me deixou cicatrizes profundas na alma,
mas que hoje, entendo muito bem.

Eu sou filha dessa mãe,
que não sabe escrever poesia,
a não ser com suas mãos calejadas,
e sua coluna entortada
pra ganhar o pão nosso de cada dia

Eu sou filha dessa deusa,
dos cenários de suores e labuta,
que de puta, santa, recatada e do lar,
é tudo que desejo me tornar.

Lilly Araújo - 30/09/16
(09:40h)
MyFreeCopyright.com Registered & Protected