terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Eu sei, mas não devia



Eu sei, mas não devia
Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(1972)

Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.


O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Sem se perder a doçura


Sem se perder a doçura

Há de se conseguir ficar mais sóbrio
sem se perder a doçura.
Há de se aceitar os momentos amargos,
sem contudo se entregar à amargura.

Há de existir um equilíbrio
entre a tênue linha do racional,
e o mundo pueril,
esse:- cor-de-rosa e ficcional.

Há de existir, em algum canto escondido,
um olhar que não nos meça
com trena e compasso,
e onde a beleza caiba dentro de um abraço!

Há de existir um lugar
onde não seja sol escaldante,
nem afogar nas tempestades,
um mundo, ou submundo,
onde Amor possa ser de verdade.

Há de haver!
Eu hei de ver!
Esse lugar que inventei em meus sonhos,
e que um dia, por sorte,
acabo encontrando, ou então,
hei de morrer tentando.


Lilly Araujo 23/01/16

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Aula da natureza


"As folhas das árvores servem para nos ensinar a cair sem alardes"
Manoel de Barros

Aula da natureza

As árvores sabem ser outono,
as folhas sabem cair sem alardes,
os galhos sabem ficar desnudos
e suportar o vento frio sem chorar,
porque conhecem as estações
e acreditam que o verão irá voltar,
também a primavera ‘multivida’,
e estão preparados para
o inverno gélido e impessoal.

Os galhos sabem aguardar,
e o fazem sem murmúrios, e
com grande resignação...

Sorte dos galhos, que não
sabem o que é ter no peito
esse insano coração!

O coração não sabe ser outono,
não admite ser inverno,
só quer viver do calor de verões,
e do perfume das primaveras.

O coração faltou
à aula da natureza.

Lilly Araújo 14/01/16 (9:29h)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Estou chuva


Estou chuva

Eu estou chovendo de novo!
Sou janeiro.
Sou verão.
Sou essa densa estação...

Estou chovendo
de minuto em minuto,
desse tempo que nunca para,
com essa dor que nunca sara.

Estou céu cinzento.
Melancolia, raios e trovões.
E rabisco o infinito de minhas solidões.

Estou criança amedrontada
e cachorrinho encolhido,
escondido no canto da sala.

Porque estou chuva!
Céu sem sol,
sem calor,
sem raios e sem fulgor.

Estou chuva
sem arco-íris,
canção de uma só nota musical,
nesse cantarolar que me faz tanto mal.



Lilly Araújo 11/01/16 

(19h)

sábado, 9 de janeiro de 2016

Caixa de Pandora


Caixa de Pandora

Eu te coleciono,
como se cada peça tua fosse minha,
e fizesse parte do meu ser.
Eu te coleciono a cada imagem,
a cada sorriso,
em cada novo amanhecer.

Eu te guardo
na minha Caixa de Pandora,
e a abro todos os dias,
sem ter medo de morrer.

Eu te sorrio e te choro
na mesma lágrima
e na mesma gargalhada,
porque já não sei
se és riso ou pranto.

E quando vens,
em nuvens, em sussurros,
em imagens ou lembranças,
eu me lembro que já morri,
quando de mim
se foram todas as esperanças.

E eu sigo a colecionar-te
em fragmentos revoltos.
Tua imagem sorridente e
teus cabelos soltos.

Ah!... Aqueles fios entre meus dedos,
e meus dentes entre teus dentes,
e o teu ser em minhas entranhas...

Eu te coleciono,
nesse forma de continuar viva,
dessa maneira tão estranha.


Lilly Araújo 09/01/16

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Cunhada no aço

Cunhada no aço

“This is Sparta”!
 E eu não vejo os meus 300...
O poço à minha frente...
O inimigo me espreita!

É curvar-se para sempre
ou morrer.
O cenário é esse,
sem ter para onde correr.

“This is Sparta”,
E eu meto o pé sem titubear...
Agora é a queda,
o poço,
a água,
o grito, a terra e a lama.

Derrubo com a fúria
da esperança de resistir,
sem saber como ou até quando...

Mas aqui é Esparta!
E eu fui cunhada no aço,
treinada para lutar.
Todo dia me despedaço
para depois me remendar.

Eu sou de Esparta,
com minha lança e minha espada,
minha coragem e meu broquel,
e sigo marchando,
em busca do paraíso ou da glória.
À procura do próprio céu.

Lilly Araújo 08/01/16
 12:30h

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Birra



Birra

Hoje estou indo de cappuccino gelado,
apesar do clima ameno, quase frio,
não quis tomá-lo quente,
não é disso que estou precisando pra me aquecer...
Vou de gelado, como alguns dias são...

Hoje esse sabor que tanto adoro
vai entranhar-me frio,
vai gelar-me toda por dentro,
ou não...

Porque o “calor da vida”,
aquele que flameja até no olhar,
não é de uma xícara de café
que eu vou retirar.

Hoje eu vou de gelado,
dentre todas as contradições
que há na existência,
essa é apenas mais uma,
que estando tão gélidos os meus dias,
eu dispense uma xícara de café quente...

Isso é só mais um protesto,
só mais uma birra,
dessas que dá na gente!


Lilly Araújo 07/01/16

(10: 30h)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Cova Rasa


Cova Rasa


Não adianta nem chorar,
as lágrimas não irão
me salvar de mim mesma.

Não adianta esse esforço
amostral de sofrimento,
se no fim tudo é capitalismo,
dinheiro e tormento.

Não adianta pedir socorro,
nem esperar uma mão amiga,
ou um olhar condescendente,
se eu tive todas as escolhas,
e escolhi ser pobre,
não adianta alegar, que
tenho um coração nobre.

Não adianta agora choro,
arrependimento ou pesar algum,
entre o céu e a terra,
ainda precisa haver uma cova.

Sou “cova rasa”.
Projeto de gente.
Indigente!


Lilly Araújo 06/01/16

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PS: Referências poéticas


https://www.youtube.com/watch?v=SevA-ekCX9k

Jogo da vida



Jogo da vida

Não sou artista,
não sou trabalhadora.
Não sou rainha,
nem sou peão.

Tenho todos os sonhos do mundo,
e de ilusão em ilusão,
vou esquecendo
de ganhar o próprio pão.

Não sou artista,
não sou rainha,
me recuso a ser peão,
me entravo entre o xeque e o mate.

Hoje,
especialmente hoje,
estou morrendo,
perdida nesse embate.


Lilly Araújo 06/01/16  (10h)

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Estômago



Estômago

Dói-me o estômago logo cedo,
e reclama, descarado,
numa manha de criança
que esperneia até ser ouvida.

Dói-me insistentemente,
desconcentrando-me os pensamentos,
roubando-me as inspirações,
e fazendo-me parir esses versos
de pés quebrados.
(de pés e pernas e tudo mais).

Dói-me esse órgão,
parte de meu ser,
e  continuo apenas a escrever,
e componho insistentemente esse
meu poema claudicante.

Uma pausa para comer...
para beber meu café...
para parar de digitar...
para esquecer...

Dói-me o estômago,
e insisto em deixá-lo doer,
porque essa dor ainda é bem menor
que a saudade de você!


Lilly Araújo 05/01/16 (08:50h)

domingo, 3 de janeiro de 2016

Solitude


Solitude

Deixe que eu fique aqui mesmo
onde estou,
como um limo no casco
de um navio no porto,
que ao mar nunca mais regressou.

Permita-me a solitude dos mortos,
a vontade pouca,
e verdade dolorida e rouca.

Esqueça,
as palavras expressadas,
e adivinhe as não ditas,
para esquecê-las
logo em seguida.

Fica aí no teu silêncio usual,
não rompas o som,
porque o teu falar
me faz mal.


Lilly Araújo. 03/01/16 (21:16h)

sábado, 2 de janeiro de 2016

Uma flor



Uma flor

Hoje de manhã ventava muito,
o vento me uivava segredos
que eu não queria escutar.
Ventava chicoteante,
e árduo,
e feria-me os olhos suportar.

Foi então, ali,
bem no canto de uma calçada,
que notei meio desconfiada,
uma flor tenra e frágil
a despetalar-se sobre os açoites da vida.

Pus-me pronta a socorrê-la,
com uma compaixão
despretensiosa e gratuita.

— Guardei-a sob uma redoma.

Agora, era bela e frágil!
Frágil e bela!
E inocente!
E agora era bela, e frágil, inocente
e resguardada do vento.

Ah!(...) Esse vento profano,
que varre para longe os nossos dias,
e nossos sonhos,
e as crendices pueris do amor.

Mas não sobre ela.
Não sobre essa bela flor!


Lilly Araújo 02/01/2016 14:40h

Ano Novo



Ano Novo

O café... Ah! ... O café!
Esse meu fiel companheiro
em tempos quaisquer.
Quente, morno, frio,
com adoçante ou com uma bola de sorvete.
Esse café com chantilly no vai-e-vem do shopping,
ou no silêncio de meu quarto tão madrugador.

Esse café que me acompanha,
que me amarga, que me adoça.
Esse café bêbado!
Esse café que me ama!

Atravessamos outra vez mais um ano,
esse fatiar do tempo que nos alivia a carga da vida.
Chegou mais um reinício,
um restart de todos projetos,
de todos os sonhos e sentimentos.

Bem-vindo ano novo!
Brindamos com você às novas projeções,
aos novos amigos, aos antigos amores.

Tim-Tim Ano recém-nascido!
Eu levanto a você minha xícara de café,
esse meu companheiro constante,
de cada instante,
onde me pinto de mulher!


Lilly Araújo 02/01/16

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Sempre


Sempre

Nada dura para sempre!
E inconformar-se
por qualquer coisa da vida
é desgastar-se debalde.

Nada permanece constante,
ou incólume.
E as ondas que desmancham
os castelos de areia,
levando consigo os sonhos infantis,
e as inocências pueris,
é a mesma que estabelece a marca
do ferro em brasa
da experiência do se perder...
do se refazer... e o se reerguer
queda após queda,
como sempre será a vida.

—Mas nada é para sempre!

Nada dura para sempre.
Nem o desejo ou a dor,
nem o azar ou a sorte,
nem a lágrima,
ou a morte.


Lilly Araújo23/12/15

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A crença



A crença


Eu creio contra esperança!
Creio com a fé genuína e sem limites
de uma pobre criança.


Creio na contramão dos fatos,
na inexatidão do hoje,
na escuridão do agora,
e no escoar das horas.


Eu creio que de novo será,
um dia desses qualquer.
E que não demora muito,
eu volto a ser mulher...
Porque meu corpo demanda,
meu coração implora,
que seja ontem,
ou que seja agora.


Eu creio,
ainda que não devesse,
e ainda que não soubesse,
porque descrer,
não está no meu cardápio.


Eu creio, 
com toda fome do meu ser,
e te degusto nas minhas lembranças,
e aguço o meu paladar!

Porque te espero 
com toda a esperança,
de outra vez te provar.


Lilly Araújo 14/12/2015


domingo, 13 de dezembro de 2015

Ensaio do sono


Ensaio do sono

Preciso dormir, porque as horas do relógio disparam, e amanhã é outro dia, outra segunda-feira, e apenas uma segunda-feira a mais. Esse dia em que o ritmo frenético das coisas do cotidiano recomeça com todo seu esplendor.
Preciso dormir, porque amanhã o mundo não espera. A vida não espera! Não há nada multicor que supere a frieza dos fatos em “preto e branco”.
Amanhã, é de novo, o novo dia em que, à despeito de todas minhas preces e expectativas, você ainda não chegou. Você, que nunca retornou, seja lá onde for que se ancorou e simplesmente se esqueceu desse porto vazio que ficou a lhe esperar.
Esse “porto” em que me transformei. Um “eu” soturno e sombrio, tomado de limo e vazio, no profundo do cais silencioso que já não é mais, e que somente continua pela incapacidade de simplesmente inexistir.
Preciso dormir, porque a realidade se mistura pouco a pouco com o imaginário, e a essa altura já não difere o que é, o que foi, o que penso ter sido e o medo do que talvez nunca mais torne a ser.
Preciso fechar os olhos e repousar. Desacelerar a respiração e o ofegar. Desconsiderar ansiedade crônica que me dirige os passos do meu caminhar trôpego e inconstante.
Preciso e vou dormir. Agora! Nesse exato momento, e confundir o relógio, o Caos e o Chronos, e entrar no meu mundo de fantasias e mágica, lá, onde tudo é mais e é além. Onde posso brincar de faz-de-conta, e você está também!


Lilly Araújo 13/12/15

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Quebra-cabeça

Quebra-cabeça

Eu varro os cacos de mim,
e me recolho em silêncio
para o reduto que um dia vivi.
Retorno para aonde
deveria ter permanecido.

Eu recolho os cacos de mim
com resignação e só.
E caco por caco, vou
me ajuntando a mim mesma.

Eu me emendo,
como num jogo de quebra-cabeça!


Lilly Araújo 04/12/15

Insosso
















Insosso

Meu corpo caído no sofá,
jogado sem vontades nenhumas,
sem sonhos todos.
ESQUECIDOS, um a um,
durante o balançar dessa
canoa desordenada da vida.

Há cheiro de café no ar,
mas o convite ficou sem graça,
sem cor e sem paladar.

Corpo ainda frouxo
em meio a pensamentos densos.
E o paladar ainda se recusa,
seja ao que for.

E o café amargo é refugado,
assim como sonhos
doces e impossíveis...
O paladar fez greve.
Tudo está apenas insosso.


Lilly Araújo 04/12/15

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Corpo

















Corpo

E a inconformação de ser eu, é apenas essa toda que trago constante, pungente, e sempre presente.
Corpo débil, incapaz de me oferecer o que necessito!
Preciso voar. Bailar entre as rajadas de brisas doces. Pisar entre nuvens e brincar de ser anjo...
Preciso respirar o ar das montanhas mais altas e pousar nos picos neblinados de brumas brancas e um pouco de gelo pra me fazer sorrir, nessa mesma brancura.
Corpo débil. Incapacitante. Âncora de minha alma e espírito livres!
Preciso olhar o mar ou um lago profundo e cristalino, de um azul perfeito e sereno, e me entregar a seus braços e me deixar levar em suas profundezas. E sentir sobre mim o peso de cada metro de profundidade me excitar em cada nova descoberta...
Corpo débil!
Esse ar que me falta... Esse peso de ser eu.
Eu nesse CORPO.


Lilly Araújo 03/12/15
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