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Faces
de mim - Parte II
Na
rosa não sou a pétala,
eu sou
espinho.
Do
beija-flor
eu sou
o medo,
não
sou o ninho.
Ninguém
me sabe.
Eu sou
a tempestade,
doce
ou amarga,
e o
tsunami.
Eu sou
o vulcão. Eu sou o vulcão.
Eu sou
lava e entranhas,
e
labaredas, e rochas flamejantes.
Não
sou mulher,
eu sou
um troço que ruge.
Eu sou
instante. E já passei.
Eu não sou
pedaço e nem metade,
eu sou o que
sobra,
as migalhas
que caem da boca
desajeitada do
glutão ensandecido.
No silêncio da
noite
eu sou o
apito.
O estalido,
a goteira que
não para,
a porta que
range.
Eu sou a dor
do estômago do insone.
A acidez
descontrolada,
a luz que não
se apaga,
os olhos que
não fecham,
os dedos que
não cessam.
Eu sou a alma.
Eu sou a alma.
Nos sonhos, eu
sou pesadelo.
Sou também a
falta de sonho,
o nada, o
vácuo,
a tristeza do
vazio.
Não sou terra
firme.
Eu sou o rio.
Eu sou o rio.
No leito eu
sou a pedra pontiaguda,
que entra nos pés
do descalçado.
Eu sou a
ferida, sou o sangue,
e sou a dor.
Eu sou os
olhos empapuçados,
inchados do
estupor.
Sou o pedinte
de amor.
Eu sou areia
no olho,
e o sal na água
do sedento.
Não sou
rebento.
Do dente-de-leão,
eu sou vento.
Estou
ventando. Estou ventado!
Na fábrica eu
sou a greve,
sou a
descrença,
a mão que não
quer se mover,
a marmita,
que se
esqueceram de aquecer.
Sob os pés do
trabalhador,
sou o andaime
que balança.
Eu sou a
dança.
Sou a
sapatilha de ponteira
que aperta os
pés da bailarina,
Eu sou o torturador
e a futura
joanetes.
Eu sou o asco.
Eu sou o nojo!
E amanhã eu
não sou nada disso,
na minha
metamorfose,
— eu sou o
riso!
Lilly Araújo
18/05/16
(04:08h)
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