
Destino
Andava pelos pastos, descalça de tudo, e em tudo pisando com
os poros de minha alma, sorvendo os aromas da terra úmida e grama esmagada,
abraçando a relva com os dedos dos pés a sentir o seu afago, com cheiro de
canela e mel, e gosto de algodão-doce.
O céu se ruborizou diante do nosso amor; e encarnado, o sol
se despediu no silêncio que se deve aos amantes.
A noite chegou chovendo pirilampos em forma de diamantes.
Pontinhos luminosos pousavam nos meus cabelos até coroar-me perante a lua.
Eu era tua. Só tua.
As estrelas cerziam constelações de amor sobre nossos corpos
felizes.
Dançamos a dança da chuva de olhos que se fundem entre
sussurros de eternidade.
E eu caminhava pelos pastos, descalça de tudo. Despida de
medos e suspeições, respirando promessas de vinhos de uvas sovadas em ritual
solene sob o peso de teus belos pés. Servidos nas tuas mãos de anjos, feitas
para me acariciarem de dentro para fora. Roçando tua barba nas paredes de meu
interior.
E eu caminhava pela relva com cheiro de paraíso, e pirilampos
choviam sobre mim, e cantavam sobre nós a sinfonia de estrelas. E meus pés
tocavam tudo, o chão, a terra, o rio, o mar os oceanos... e sobre a relva eu
fui tua. E sob a lua nos amamos.
Findo o pasto. Apagados os pirilampos. Dormido as estrelas e
recolhida a lua. Nós, exaustos do momento de eu ser tua, adormecemos...
Quando a aurora chegou, eu já havia partido. É assim o destino
de quem tem asas.
Lilly Araújo – 15/07/16
(19:19h)
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