
Eu seria
Se eu não
tivesse corpo,
eu me
contentaria em ser a tua sombra,
a sombra da
fumaça do teu cigarro,
a sombra da
sombra da luz do flash em disparo.
A penumbra
da tua felicidade.
Se eu não
tivesse corpo,
me
contentaria em ser teu dia claro,
tua noite
fria, ou o teu agasalho.
Eu me
contentaria em ser as cócegas
por entre os
teus dedos dos pés,
e o vão do teu
sorriso desproposital.
Se eu não
tivesse esse corpo,
essa
embalagem pesada e fútil,
eu seria o
ar ao teu redor diuturnamente,
eu seria a tua
lágrima expurgando tua dor,
eu seria teus
gemidos de amor.
— Mas para
que querer ser tanta coisa?
Eu só sou
isto aqui que vejo:
um corpo
esquecido na sarjeta do desejo,
um corpo
seco, desumidificado pelos desacertos,
desencontros,
descaminhos,
despalavras,
precipícios, e o infinito...
Lilly Araújo
– 07/06/16
12:39h
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