
Destino de
sol
Quando o sol
estava prestes a partir hoje,
abraçado ao
horizonte,
na sua repetida
liturgia de amor
e de
renúncia de si,
trazia a
melancolia no olhar,
como tem
aqueles que, pelo seu destino,
sempre se entregam
à crucifixão.
Quando o sol
se despediu hoje, mudo,
sem reclamar
do seu suplício diário
de morrer
todas as tardes,
para
ressuscitar todas as manhãs,
eu estava lá,
crente, a mirá-lo em devoção.
Com destino
de sol,
eu também me
entrego todos os dias,
sem resistir
à cruz, aos pregos,
e a todos os
infortúnios que juntos vierem.
Porque se o
sol morre feliz,
ainda que
imaculado,
eu morro,
resignada,
para
expurgar o meu pecado.
O meu
pecado, confesso,
sem muita
descrição,
sem até,
nenhuma discrição,
que é o de
amar sem freios,
e sem
pitadas de razão.
Amar o amor
de morte,
e vida, e
ressurreição.
Lilly Araújo
– 02/06/16
19:25
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