
Fragmentada
O relógio
quer que eu acompanhe seus ponteiros,
os teclados
insistem para que eu os acaricie,
a música
murmura segredos que não quero entender,
eu só quero
deitar e esquecer.
Todos querem
um pedaço de mim!
O cão
abanando o rabo;
o pés da mãe
que pedem massagem, exaustos;
o agente de
saúde que finge fiscalizar se há água parada
para
combater do mosquito da dengue,
mas que no
fundo, assim como eu,
quer apenas
agitar suas próprias águas paradas:
— As da alma!
Todos querem
um pedaço de mim!
E eu já
estou tão nada,
que não me
sobra causa alguma para lutar.
Transformo-me
em riso branqueado à força,
só para
sorrir para o público da vez.
Não sei qual
parte de mim está mais insossa,
porque
eu-aos-pedaços
não caibo em
nenhum espaço,
em nenhum
abraço...
E todos continuam
a exigir de mim.
Quisera eu
evaporar no espaço,
e negar a
todos o que todos me negam:
— dar-me de
si mesmos um pedaço!
Lilly Araújo
– 26/07/17
20:50h
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