segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Lua Eclipsada



Lua eclipsada

É noite alta,
a lua me observa silenciosa e pálida,
inquire de mim coisas que não
posso responder.
Não quero, não saberia...

E ela continua ali,
com seu olhar gélido e penetrante.
O que ela espera de mim, afinal?

Essa lua redonda,
perfeita, imponente, se dizendo rainha da noite
e madrinha dos amantes...

Não tenho nada pra você!
Hoje não comporei versos apaixonados,
não suspirarei ao seu brilhar.
Hoje não me resta mais que vazio e silêncio.
Hoje eu sou eclipse do seu luar.

27\09\15 Lillly Araújo

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Diálogo

 
— Quem é esse deus que lhe consome,  a ponto de você se fechar assim?
— Não é um deus... é somente um homem. Mas é que eu nunca havia experimentado um!
 
#Lilly Araújo 15\07\15
 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Você não entendeu o meu amor




Você não entendeu o meu amor…
Ele é daqueles que se calam
ao seu passar, para que não
perturbe nenhum de seus passos.

Você não entendeu, eu acho,
que ele é forte e gritante,
mas também é delicado como a brisa
e sussurrante como o leito
de dois amantes…

Ah!!! Você não entendeu.
(É o que temo).

Porque esse amor meu
é o vulcão mais ardente
e o pôr-do-sol mais sereno…
É o vaguear entre a noite mais fria
e o amanhecer mais ameno.

Você não entendeu o meu amor!
E não devo te culpar jamais.

Quem entenderia as estrelas cadentes,
que por querer se jogam dos céus?
Ou a mariposa a se debater
contra a luz até a morte?
Quem explicaria o obstinado
“caminheiro no deserto”, sempre a espera.
de um oásis, jogado à própria sorte?
Ou o solitário que vive em meio à multidão…

Quem há de entender
tanta coisa por aí sem explicação??

Você não entendeu o meu amor,
porque ele é mesmo assim,
— paradoxo, complexo e antítese de si.

Ele é, e sobrevive dentro de mim,
de um modo que não espera nada
que já não tenha recebido de suas mãos.
Mas ainda assim aguarda…
— Incólume, imutável e crescente…

Esse amor é um daqueles,
que só dá uma vez na gente!


# Lilly Araújo

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Poema: História do Café


Eu me lembro muito bem,
das mãos enrugadas, das costas
encurvadas e os olhos anuviados
dos pais de minha avó,
fitando os grãos com a esperança
de um futuro melhor.

Eu me lembro dos panos,
dos sacos de linho grosseiro,
embaraçando-se uns aos outros,
frenéticos, aguardando a sua vez
de receber cada grão dentro de si,
para então completar o seu destino.

Eu me lembro das mãos
santas de minha mãe,
não tão enrugadas,
pegando a colheita já processada,
do grão agora pó,
e uni-lo à água fervente,
transformando-os em um só,
nesse matrimônio matinal e frequente.

Eu me lembro,
todos os dias,
que da labuta no plantio,
cheia de histórias e vida
e esperança e fé...
Chega às minhas mãos,
todos os dias,
uma xícara quente de café.

#Lilly Araújo 17\06\15

terça-feira, 16 de junho de 2015

Receita de croutons



Sobraram aquelas fatias de pão de forma, você sabe que ninguém mais irá comer... Jogar fora? Que desperdício, corte em quadradinhos regue com um fio de azeite e polvilhe orégano e gergelim, leve para o forno elétrico ou convencional até que doure e  pronto... croutons para acompanhar os caldos de inverno.


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Encarnação da Saudade



Se saudade tivesse cheiro,
seria como o cheio de café,
aquele aroma matinal que
nos convida ao abandono da cama,
desafia a letargia e nos permite sonhar acordados,
desfilando entre o faz-de-conta e o palpável.

Se saudade tivesse gosto,
seria como o gosto de café,
que mesmo amargo ao paladar,
ainda assim é bem-vindo, como
o símbolo do estar vivo!

Se saudade tivesse cor,
seria a cor do café,
essa escuridão que fica
quando alguém parte da gente
e se esquece de voltar.
Esse breu que se estabelece e
paira no ar como noite enevoada.

Se saudade tivesse rosto,
seria o seu rosto e mais nada!
Trazendo aquele sorriso estampado na face
quando levantávamos do amor,
e ainda com amor no olhar,
íamos tomar o café que era só nosso!

Lilly Araújo. 03\06\15


Matinal


Matinal

É outono ainda,
uma nova frente fria
torna meu dia preguiçoso.
Revolvo debaixo do edredom
sem coragem para levantar.

O café, já posto,
esfria sobre a mesa...
O cheiro invade o ambiente,
Há muitas memórias no ar!!

Meus poros estão todos eriçados.
Faz frio aqui dentro!
Lembro-me de quando eram outros
os motivos dos arrepios...

O café ainda está
no mesmo lugar. Abandonado!
Me demoro sobre a cama
em devaneios do passado...

Então, me aqueço sob os panos,
com toda a invasão ilusória
do seu toque,
e me deixo ficar mais um pouco...

O café pode esperar!!
— Eu não.

Lilly Araújo. 11\06\15

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Eu é que sei



Eu é que sei

Eu é que sei o peso silêncio
Quando a multidão se dispersa
Quando os sorrisos amarelam
E as palavras emudecem.

Eu é que sei a cor desbotada que resta
Quando a luz dos holofotes
Se apagam depois da festa.

Só eu resto!
Só eu fico!
Só eu me carrego para casa
No fim de tudo...

Eu é que sei o frio do leito
Que aguarda toda noite eu retornar,
E o gosto amargo de cada insônia
Que vem me visitar...

Eu e que sei das dores
De ser essa intensidade de mulher,
Aliás, "nós" sabemos:
– Eu e o pobre café!

#Lilly Araújo. 28/05/15














quinta-feira, 28 de maio de 2015

O café que não veio



O café que sempre sonhei
agora vai ficar em bule qualquer
esfriando…
sem calor, sem toque, e esquecido
de todo gesto de carinho.

O café que por tantos meses planejamos
vai ficar assim,
como uma carta que o correio estornou,
como um poema amassado no fundo de uma gaveta,
como tantos outros projetos que acabam descendo
ao túmulo sem nunca virem à luz do dia.

O café que tanto desejei,
vai ficar assim,
como um aborto,
ou um natimorto,
porque nem sempre se pode plantar e colher.

O “nosso” café, nunca chegará
a ser ‘nosso’,
porque temos medo…
Temos medo.

E essa é toda explicação.


Lilly Araújo

segunda-feira, 6 de abril de 2015

É bom amar!



É bom amar!

É bom tocar e ser tocada pelo próximo, principalmente quando o próximo é verdadeiro e gentil contigo em todo tempo (são casos raros).

Bom, nesse cenário, o afastamento ou rompimento do vínculo afetivo parece ser ainda mais penoso, mas as sensações diferem muito das que experimentei no decorrer da vida até o presente momento. Então, apesar da inconformação, das saudades, da abstinência daquele carinho específico e do olhar e cheiros particulares e ímpares... fica ainda questões do tipo: - onde foi que errei??

Mas o balanço geral é: - Que é bom amar e ser amada, seja na proporção que for, desde que seja pra valer.

Essa reflexão nasceu de um momento muito peculiar que estou passando, e a cada dia tenho experimentado novas coisas em minha vida, tenho estado mais aberta a novas experiências, assim como tenho estado mais otimista em relação à vida.

Em um envolvimento recente pude notar que a gente, depois de uma certa idade, acaba revendo muitos conceitos e atitudes, e se estiver disposta, acaba encontrando gente nova, gente UP!

Se despedir de um relacionamento onde sua química e expectativas gerais estão sendo supridas é um rombo enorme com certeza, e pude experimentar isso na pele. Mas quando tudo é às claras, e você percebe que as coisas só tomaram caminhos diferentes do que esperava, então a sua DIGNIDADE não é rompida, não há porque se sentir violada, enganada ou coisas do gênero... Então fica uma enorme gratidão pela passagem dessa pessoa na sua vida, que só lhe acrescentou risadas e momentos mágicos.


Por isso, apesar dos pesares, minha conclusão é que a dor sempre está à espreita, MAS AMAR AINDA VALE À PENA!

#LillyAraújo

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A Tempestade



A tempestade!

Acho que nunca passei por um período onde a tempestade atingisse todas as áreas da minha vida de uma só vez.
Perdi tanta coisa de um tempo pra cá, que me sinto prima de Jó, o personagem bíblico. (nem tanto, talvez um parente bem distante, com a diferença que ele não merecia nada do que lhe sucedeu, já eu,... Rsss)
Tive que me refazer! Aceitar coisas antes impensáveis, recuar... Avançar outras vezes em áreas onde era totalmente amedrontada... Retroceder em conquistas antes alcançadas, mas tudo com o propósito de enfim me firmar em bases sólidas.
Esse é o período de maior tempestade em minha vida, sem dúvida! Mas é o período melhor de minha vida também!
Estou revirada, sentindo falta de tanta coisa, tendo que me despedir de tantas outras... mas nunca estive tão esperançosa e serena. Deus tem sido a voz de ternura em meio a tudo.
Estou me reconstruindo e sei que o melhor de DEUS ainda está por vir.
Ainda choro muitas vezes... Ainda sinto medo da solidão no meio da madrugada, outras tantas. No frio, sinto falta de uma conchinha e de me agasalhar num peito aconchegante, sinto desejos de mulher...
Mas Deus... Ah! Ele tem amenizado toda dor, e renovado promessas e esperanças dia após dia. Tenho vivido sinais e milagres como no Antigo Testamento, e digo uma coisa: — Quando a coisa aperta, o MAR VERMELHO se abre. e a TEMPESTADE, essa simplesmente se cala!

#LillyAraújo 03-04-15

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Fernando Coelho


Trecho do diário de um autor desnecessário. Nunca mentira para uma mulher. Mas mentira, para si próprio. Não separava a manhã do dia. Começava a escrever cedo. Não tinha dimensão da solidão. Isso, de escrever, era o mais alto degrau de um infernal diálogo que travava. Da escrita e dele. Era uma relação desesperadora. Compreendia que escrever era mortal. Na mesa de vidro um vaso vermelho. Não tinha nenhum significado, não mais do que um ponto cego pra onde olhava. Uma decoração lerda. Era comum. As palavras rugiam de cavernas com fedor de alma. A maioria delas queria ficar onde estava, ou aparecerem escritas numa mesma palavra. Indomáveis. O seu trabalho era dissociá-las, dissecá-las, provocar-lhes um aborto de origem, socá-las o âmago amorfo. A sala não era maior do que o seu horizonte. Não entendia de medidas. Não podia comparar. Cada palavra tinha um significado. Achava-se um homem de significados. Mas entendia pouco de comportar-se, alimentar-se, dizer-se, precaver-se, alinhar-se, iludir-se, comprazer-se, animar-se, sonhar-se. Entendia somente daquela embocadura cavernosa, dilacerante, a lhe acumular emoções. Era isso sim, um transeunte, irmão de árvores sozinhas, parente próximo das portas que estavam ao seu redor. Os barulhos da rua, gritos, serras elétricas em prédios em construção, cachorros latindo, makitas cingindo granito, gente alegre por nada, automóveis, eram o fundo musical que mais gostava. O seu ato de escrever nunca foi reparador. Travava-lhe as costas quanto mais expunha o coração sanguinário e decomposto em cismas. Não tinha uma filosofia rígida que o fizesse entender o céu, nem colher a chuva, nem dimensionar quando não tinha trabalho. Não há trabalho para escritores. E ele era do pior tipo: rabugento, intragável, vil no trato, escanhoado de paciência, calvo de tolerância. Um letrado que não servia para o mercado. Era um escritor parecido com qualquer um: os que gostam muito de aparecer como escritor, sem saber escrever, mas com livros publicados e tudo, com os jovens escritores que amam suar os dedos para juntar expressões, ainda mais sobre rebeldia e amor e sexo. Ninguém quer escrever sobre guerras. Mas ele gosta, porque no fundo, ele mesmo é uma, ingênita, explosiva, miserável, pobre e fratricida. Hoje mesmo acha inútil escrever. Mas não é um ato separado dele. Se não o fizer, chora, procura matar-se na cozinha, olhando o fogo queimar a comida. O apetite afoga o seu dia. Se não escrever, é um sujeito pior, desordenado, ignorante, triste. Sua melhor companhia é a melancolia. Porque escrever não é um gesto, nem desagravo, nem uma ação cordial. Ele escrevia encurralado. Não tinha nenhuma saída. Entrega-se à própria prisão informal e escreve. Tem alguma convicção de que os escritores, quase todos, sentem o mesmo. Mas disfarçam numa taça de vinho de safra duvidosa, em noite de autógrafos de amigos distantes. Miseravelmente, ele ainda tem um problema: como não suporta ler o que escreve, espera, espera, ambíguo e atônito, que lhe apareça um leitor, apenas um. Ou morrerá sem apelo. E só.

Fernando Coelho.
Fernando Coelho-Facebook

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Oficina Literária Desafios dos Escritores-2013


CRÔNICAS DE MINAS GERAIS

De 21 de fevereiro a 3 de março de 2013, estarão abertas 16 vagas para o Desafio de Crônicas com temas inspirados em Minas Gerais, sua gente, sua literatura e sua História.
Durante 6 semanas, esse grupo especial de escritores terá suas crônicas avaliadas e comentadas por um grupo de escritores, professores e leitores. Ao fim, o vencedor receberá um troféu do Núcleo de Literatura do Centro Cultural da Câmara dos Deputados.
Envie ainda hoje sua ficha de inscrição (nome, pseudônimo, telefone, celular, endereço, cep, trabalho e pequeno currículo) para desafiosdosescritores@uol.com.br com sua primeira crônica escrita sobre um dos 3 temas já liberados no site:
http://www.desafiosdosescritores.com.br/



TEMAS DA PRIMEIRA SEMANA DE DESAFIO DE CRÔNICAS MINAS GERAIS
1- INSPIRADO NA LETRA DE MILTON NASCIMENTO, FAÇA-NOS SUA CRÔNICA COM ATÉ 50 LINHAS.

Fazenda
Milton Nascimento

Água de beber
Bica no quintal
Sede de viver tudo
E o esquecer
Era tão normal que o tempo parava
E a meninada respirava o vento
Até vir a noite e os velhos falavam coisas dessa vida
Eu era criança, hoje é você, e no amanhã, nós(2x)
Água de beber
Bica no quintal, sede de viver tudo
E o esquecer
Era tão normal que o tempo parava
Tinha sabiá, tinha laranjeira, tinha manga rosa
Tinha o sol da manhã
E na despedida,
tios na varanda, jipe na estrada
E o coração lá(4x)

2- INSPIRADO NO POEMA DE DRUMMONDA CHAVE
Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 1902 – Rio de Janeiro, 1987)
In: O Corpo, 1984

E de repente
o resumo de tudo é uma chave.
A chave de uma porta que não abre
para o interior desabitado
no solo que inexiste,
mas a chave existe.
Aperto-a duramente
para ela sentir que estou sentindo
sua força de chave.
O ferro emerge de fazenda submersa.
Que valem escrituras de transferência de domínio
se tenho nas mãos a chave-fazenda
com todos os seus bois e os seus cavalos
e suas éguas e aguadas e abantesmas?
Se tenho nas mãos barbudos proprietários oitocentistas
de que ninguém fala mais, e se falasse
era para dizer: os Antigos?
(Sorrio pensando: somos os Modernos
provisórios, a-históricos…)
Os Antigos passeiam nos meus dedos.
Eles são os meus dedos substitutos
Ou os verdadeiros?
Posso sentir o cheiro do suor dos guarda-mores,
o perfume- Paris das fazendeiras no domingo de missa.
Posso, não. Devo.
Sou devedor do meu passado,
cobrado pela chave.
Que sentido tem a água represada
no espaço onde as estacas do curral
concentram o aboio do crepúsculo?
Onde a casa vige?
Quem dissolve o existido, eternamente
existindo na chave?
O menor grão de café
derrama nesta chave o cafezal.
A porta principal, esta é que abre
sem fechadura e gesto.
Abre para o imenso.
Vai-me empurrando e revelando
o que não sei de mim e está nos Outros.
O serralheiro não sabia
o ato de criação como é potente
e na coisa criada se prolonga,
ressoante.
Escuto a voz da chave, canavial,
uva espremida, berne de bezerro,
esperança de chuva, flor de milho,
o grilo, o sapo, a madrugada, a carta,


A mudez desatada na linguagem
que só a terra fala ao fino ouvido.
E aperto, aperto-a, e de apertá-la, ela se entranha em mim. Corre nas veias.
É dentro em nós que as coisas são,
ferro em brasa – o ferro de uma chave.
3- INSPIRADO NA CRÔNICA DE FERNANDO SABINO, FAÇA-NOS UMA CRÔNICA DE ATÉ 50 LINHAS.

PRIMEIRA COMUNHÃO
Ele estava nervoso, muito empertigado no seu terninho branco: – Se colar no céu da boca o que é que eu faço?– Tira com a língua – recomendei. – Com o dedo não pode não?– Não pode não.
Ao entrarmos no pátio da igreja, esqueceu suas preocupações e saiu correndo para juntar-se aos outros. Sob o olhar embevecido dos pais a meninada se estranhava: tolhida pelo cuidado com a roupa toda branca e muito armada, e a fita no braço, e a expectativa da cerimônia, não se expandia livremente como no recreio do colégio. Ainda assim trançavam aqui e ali entre os adultos, brincando e rindo, criticando-se mutuamente:

– Você veio de luva? A professora disse que não precisava. – Uê, você está de calça comprida!– O padre disse que podia.– Meu laço é mais bonito que o seu.– O meu tem um desenhinho, olha aí.
Em pouco surgiu o vigário e os pôs em fila. Marcharam para o interior da igreja. Solenizados e hirtos, nós, os cavalões, também elegantemente ajaezados, nos postamos ao redor, prestando atenção na missa, como se nada estivesse acontecendo. Mas andava no ar o inquietante silêncio de algo precioso que estava para nos acontecer e que poderia escapar-nos, como uma palavra apenas sussurrada e de novo perdida. E a todo instante olhávamos disfarçados os nossos filhos, com a benevolente compreensão de quem lembra já ter vivido momento semelhante e teme não merecer sua renovação e teme não merecer sua renovação ao menos na lembrança. Eu, evidentemente, só tinha olhos para um menino no segundo banco, repetindo com os outros o ritual que o padre lhe ensinara, preparado para a sua primeira grande aventura.
De súbito um imprevisto ameaçou perturbar a cerimônia: uma voz de homem, alta e mal articulada. Irrompeu lá detrás e o bêbado veio avançando, vacilante, até se deixar cair sentado no banco a meu lado. Era um preto de camiseta de meia, sem mangas, provavelmente operário de alguma construção vizinha, e àquela hora da manhã já (ou ainda) estava no maior pileque deste mundo. Resmungou qualquer coisa e correu os olhos baços ao redor, sem ver nada. Várias cabeças se voltavam, apreensivas, como a pedir que eu fizesse alguma coisa – e eu não sabia o que diabo se deve fazer numa circunstância dessas.

– Psiu, companheiro, fique quietinho aí – sussurrei-lhe, temendo que ele reagisse, para agravar a situação. Limitou-se, porém, a olhar-me com desprezo e engrolar duas ou três palavras desastrosamente gritadas. Depois se pôs a falar em voz alta:

– Sou católico apostólico romano. Sou muito amigo de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O vigário deixou os meninos e veio de lá passar-lhe um pito, mas de nada adiantou: em pouco tempo ele recomeçava a falar. Até o celebrante, em meio à Missa, parecia perceber que algo de anormal acontecia.

– Vamos até ali fora – saltou de repente uma voz, e o preto foi empolgado pelo braço, carregado para fora como uma criança. Olhei com admiração o autor da façanha, que já voltava, livre do importuno: era um dos pais, o mais corpulento, cuja autoridade se fizera exercer de maneira tão categórica, a que até a mim intimidou, como se eu fosse também responsável pela perturbação da ordem. E a ordem voltou a reinar dentro do templo.

– Eu não sabia que na igreja também tinha leão de chácara – gracejou ainda uma senhora a meu lado.
O incidente me distraiu, fiquei pensando no preto atirado na rua. Ele estava inconveniente, não tinha dúvida, mas podia ser que fosse mesmo amigo de Nosso Senhor Jesus Cristo, e neste caso foi bom que eu não me tivesse metido.
Chegou enfim o momento. Um a um os meninos, cuidadosamente ensaiados, deixaram seus lugares e depois foram voltando sérios e contritos. Por um instante me deixo levar pela emoção, o coração se enternece e a lembrança procura recolher, sôfrega, o que possa guardar desse dia e que durante algum tempo me sustente em esperança de renovar-me. Há por que esperar: aquele menino ali no segundo banco, olhos baixos e de mãos postas, deve ter no momento mais prestígio que ninguém lá em cima e talvez se lembre de rezar pelo pai, que anda precisando muito.
Depois houve um lanche no pátio, com café e farta distribuição de sanduíches.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

VII Conc. POESIARTE - Resultado



1-Nome: Edweine Loureiro.*
Poesia: Filho da Floresta
Cidade: Saitama/Japão.
Pseudônimo: Aritana.
Pontuação: 456 pontos.

2-Nome: Perpetua Amorim.
Poesia: Deusa Mãe.
Cidade: Franca/SP.
Pseudônimo: Clarice Lismel.
Pontuação: 452 pontos.

3-Nome: Sonia Nogueira.
Poesia: Cajueiro.
Cidade: Fortaleza/CE.
Pseudônimo: Clara.
Pontuação: 442 pontos.

4-Nome: Regina Célia.*
Poesia: As árvores dão vida.
Cidade: Colombo/PR.
Pseudônimo: Aroeira.
Pontuação: 430 pontos.

5-Nome: Nédia Sales.*
Poesia: Cumprindo Ciclos.
Cidade: Conceição do Almeida/BA.
Pseudônimo: Ana Joaquina.
Pontuação: 412 pontos.

6-Nome: Flavio Machado.
Poesia: prosaicos amazônicos.
Cidade: Cabo Frio/RJ.
Pseudônimo: Aimberê.
Pontuação: 400 pontos.

7-Nome: André L. Soares.
Poesia: ÁRVORE DA VIDA.
Cidade: Guarapari/ES.
Pseudônimo: Cavaleiro de Cervantes.
Pontuação: 397 pontos.

 8-Nome: Roque Aloísio.
Poesia: RUMOREJOS.
Cidade: Santa Rosa/RS.
Pseudônimo: Olvido do Vento.
Pontuação: 393 pontos.

9-Nome: Jussara Godinho.*
Poesia: Viceje!
Cidade: Caixas do Sul/RS.
Pseudônimo: Flor Bela.
Pontuação: 385 pontos.

10-Nome: David Henrique.
Poesia: Futuro da Vida Arbórea.
Cidade: Belo Jardim/PE.
Pseudônimo: Curumim Silvícola.
Pontuação: 384 pontos.

11-Nome: Lilian Araújo.* ( Lilly Araújo)
Cidade: Anápolis/GO.
Pseudônimo: Flor de Cerejeira.
Pontuação: 383 pontos.

12-Nome: Marcos Sodré.
Poesia: OXALÁ.
Cidade: Armação dos Búzios/RJ.
Pseudônimo: Pescador.
Pontuação: 381 pontos.

13-Nome: Amélia Marcionila.
Poesia: O Guardador de Árvores.
Cidade: Pirapetinga/MG.
Pseudônimo: Uirapuru.
Pontuação: 374 pontos.

14-Nome: Janaína Santos.*
Poesia: Vida de Árvore.
Cidade: São Bernardo do Campo/SP.
Pseudônimo: Armadillo.
Pontuação: 369 pontos.

15-Nome: Geraldo Trombin.*
Poesia: ÁRVORE DEVIDA.
Cidade: Americana/SP.
Pseudônimo: eskrit’or
Pontuação: 357 pontos.

16-Nome: Jehan Santos.*
Poesia: Semeada na Metrópole.
Cidade: Cabo Frio/RJ.
Pseudônimo: Louis Parker.
Pontuação: 356 pontos.

17-Nome: Lohan Lage.*
Poesia: Árvore da vida.
Cidade: Trajano de Morais/RJ.
Pseudônimo: Andrade.
Pontuação: 319 pontos.

18-Nome: Gislaine Aparecida.
Poesia: Árvore da vida.
Cidade: São Paulo/SP.
Pseudônimo: Linda Gabt.
Pontuação: 319 pontos.

19-Nome: Marcelo de Oliveira.
Poesia: Árvore da vida.
Cidade: Salvador/BA.
Pseudônimo: Som.
Pontuação: 312 pontos.

20-Nome: Isabel Cora.
Poesia: Continuidade.
Cidade: Araruama/RJ.
Pseudônimo: Calopsita.
Pontuação: 265 pontos.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O fauno e a dríade



O fauno e a dríade

Disse o fauno lentamente
como se quisesse fazer
a dríade finalmente entender,
— Não há mais nada para nós aqui,
se ficarmos iremos morrer!

A pequena fada olhou em despedida
a última árvore que ainda não
havia sido abatida.
Bateu as asas lentamente,
e como se não quisesse mais ver,
deu-lhe as costas de repente.

O fauno, amigo fiel,
quedou-se calado, não sabia o que dizer,
trotou ao lado da desconsolada fada,
vislumbrando o cenário de horror:
tudo sem brilho, sem alegria e sem cor.

Não havia mais estrelas no céu,
não mais brilho do luar,
Tudo agora era triste e cinzento,
morrera a terra, sujou-se a água,
calou-se o vento.

Foi assim que partiram os últimos
seres encantados do planeta
chamado Terra.
Recolheram-se um a um,
fugindo desse mundo de tanta guerra.

Digladiou-se o HOMEM
contra si mesmo tantas vezes.
Atacou a natureza sem dó nem piedade,
seus atos foram malignos
e repletos de irresponsabilidade.

Foram os dois últimos a chegar
naquele novo lar,
prantearam todas as perdas,
e desejaram um novo recomeçar.

O mundo que para trás deixaram
já não teria mais o que comemorar.
Seria duro e cruel tentar viver,
depois de a última árvore fenecer.

Lilly Araújo- 07/01/2013

à 11º no Concurso POESIARTE VII/2013

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Uma FOTO salva vidas


Muitas pessoas pensam que os posts do Facebook não estão fazendo alguma diferença. Bem, eles estão errados.

Aqui está a história na Vodka...

' Argentina. Um grupo de voluntários alimentação desvia tirou uma foto que foi vista pelo mundo inteiro. O cão, segurando um pedaço de pão foi resgatado e chamado "Vodka" - um cão fêmea, cujo passado é desconhecido.

Vodka foi levado para um refúgio em Tucumán, Argentina. Depois de alguns meses, ela foi aprovada (em 14 de agosto de 2012) por uma família amorosa e tem uma boa vida agora. A família decidiu adotá-la depois que viram a sua famosa foto.

Socorristas do vodka desejam para todos saibam que a diferença pode ser feita e a nova vida na Vodka começado com uma foto.

Os cães ao fundo foram resgatados também.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Cão cego ganha uma gata como guia!

“Terfel, de 8 anos, diagnosticado com catarata, vivia sem se movimentar dentro de uma cesta. Sua vida mudou quando sua dona adotou uma gata que serve de “guia” para ele.
Segundo Judy Godfrey-Brown, dona dos pets, foi algo inesperado e impressionante. A gata chamada Pwditat, fez amizade com Terfel imediatamente. Simplesmente foi até o cesto onde o cachorro ficava, o fez sair e passear no jardim.”

Não é a coisa mais linda? Mostrando que existe SIM, amizade entre cães e gatos!


Fonte



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