
Décimo segundo andar
No vão entre
a saudade e o décimo segundo andar,
eu me despenco
em busca de algo que nunca saberei,
e me
destroço no percurso da queda,
desfazendo-me
em mil pedaços de carnes
apodrecidas por cada dor sentida.
No vão que
me convida todo dia,
com som de
flauta doce a encantar-me os ouvidos,
com o tom hipnótico
como de lábios de sereias,
eu me deixo
levar e salto sem vontades de ficar.
E no caminho
da queda,
a ventania
me lambe por inteira,
e gozo em
espasmos que nunca senti...
É o prazer que
busquei por toda existência!
No átimo entre
a queda e o paraíso,
eu desperto
outra vez,
e desse
sonho resta-me apenas isso:
— saudades
do além, do que não é,
do que não
sei que quero, mas quero!
Resta-me
também a doçura de odores
liquefeitos
no ar, desse prazer inominável
que é
deixar-se seduzir
pelo vão do
décimo segundo andar
e apenas saltar.
Lilly
Araújo- 29/09/16
09:14h
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