sexta-feira, 13 de maio de 2016

Imprudência



 

Imprudência

Pobre Ícaro! Não sabia que não se deve flertar com sol ?!
Pobres de nós dois, Ícaro!  Nascidos estúpidos demais para sabermos que certas coisas não devem ser beijadas. Jamais!!!
Lilly Araújo 13/05/ 2016
07:10h

Há de querer



 

Há de querer

— Tio, amanhã vai melhorar?
— Amanhã não existe, minha querida florzinha.
— Mas tio, era dia na minha alma, estava quente e todo iluminado, eu via o sol, pareceu-me até que fosse esverdeado. Mas agora é noite fria e lenta se arrastando... Não haverá um amanhã, agora que anoiteceu?
— Para você não, minha pobre menina. Para você, o ontem e o amanhã serão sempre hoje. Tudo dentro de si, entranhados e necessários de conexão eterna assim como os líquens. [Eu já te expliquei sobre os líquens, não foi?!]
— Tio...
— Estou aqui.
— Eu não sei se quero amanhã/ontem/hoje.
— Há de querer minha pequena. Há de querer...

Lilly Araújo 13/05/2016 [06:20]

A Invenção




 

A Invenção

— Tio, quem foi que inventou o amor?
— Foram os deuses por trás das montanhas.
— E essa dor no peito tio, está sempre junto?
— Sim, também foram eles.
— E porque eles inventariam algo assim, tão cruel?
— Eles são deuses, menina minha. Eles não sangram!

Lilly Araújo - 12/05/16 (23:43h)

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Quando você



 

Quando você
“Nossas digitais não se apagam das vidas que tocamos”
Lya Luft

No momento em que eu comecei a derreter por você, eu percebi que as coisas na minha vida nunca mais seriam a mesma, e que o start tinha sido dado há dias, sem que tivéssemos consciência futurística de onde isso iria chegar.
No começo era medo e curiosidade o que eu sentia, encantamento pelo azul, mas era o azul da alma. E o que você sentia, acho que era encantamento pela “eu selvagem e livre”. Depois o encantamento foi se aproximando e se aninhando em nossos peitos intrusivamente. Eu não sabia se queria, aliás, querer ou não querer não estava em pauta nesse momento.
Você aconteceu-me como essas coisas assim: que vêm e tiram o fôlego, e saem, e olham para trás, e sorriem de deboche ao ver o impacto que causaram... E se alegram de ser tsunami, e que se alegram de serem asas de paz.
Quando você chegou e sorriu pra mim, eu sorri no seu riso também. Eu gostei de me encantar na mesma proporção que gostei de ser objeto do seu encantamento.
Quando você chegou, disse que eu era beija-flor, então eu te beijei.
Quando eu me deixei aproximar, eu vi que você era beija-flor, então eu fui flor!
Quando nos fundimos no “lugar dos não lugares”, e passamos a ser apenas energia que se reconhece e se deseja, longe de todas as regras e fugidias a todas às leis da Terra. Quando passamos apenas a “SER”, sem explicações plausíveis, e sem se submeter sequer às leis da gravidade; então eu pulei, e caí para cima! Você me amparou, segurou a minha mão, ainda que na verdade, você é que precisava ser amparado.
Quando nos conectamos, no lugar que é “aí e aqui” ao mesmo tempo; e onde flutuamos livres e nós, e nus; eu pude sentir seu cheiro de amor; seu cheiro de medo; sentir os seus cheiros... Eu também passei a ser “cheiros e sentidos” e calor e olfato, e lembranças doloridas, e lágrimas de exaspero, e lágrimas de prazer...
Quando você enfim, chegou, com toda a sua bagagem de alma, e deu-se a conhecer para minha própria alma; e me permitiu enxergar-me com olhos mais serenos que os meus me podiam ver...
Ah, quando você chegou!!! Foi tsunami em mim. Foi vulcão. Foi leito em chamas, peito em brasa, e sorriso atordoado e sem graça. Mas também foi calmaria, e chuva de diamantes liquefeitos, escorrendo por todos os poros.
Quando você chegou me ensinou a cor verde do sol, o tom do som, e me ensinou a fazer amor com as palavras, eu era tão nada; tão tola; e tão virgem. Eu, atrapalhada na terra da emoção, sem saber onde pousar as mãos...

Quando você voou, eu chorei outra vez, e depois eu sorri.
Eu nunca mais seria a mesma!
Depois de você: — eu era melhor agora.

Lilly Araújo 12/05/16 13:03

terça-feira, 10 de maio de 2016

Ame e deixe livre



 

Ame e deixe livre

Sabe aquela velha história: —  Deixe quem você ama livre para voar e se ele voltar... blá blá blá?!
Pois é, eu sou totalmente e absolutamente assim. Eu realmente não acredito em amor preso entre os dedos.
Você já tentou prender uma borboleta? — Eu já. Foi desastroso! As asas soltaram um pó e se desfizeram. Foi triste. Mas eu era uma criancinha apenas e aprendi a lição.
Hoje eu só amo à distância suficiente para que não fira o ser amado. Sabe, isso é tão óbvio pra mim. É tão entranhado no meu ser. Eu amo tantas plantas e insetos delicados, e borboletas, principalmente borboletas (!!) eu vivo me aproximando e torcendo para que alguma me queira tocar. Mas eu nunca as prendo. Não faria sentido.
Eu consigo amar a todos os animais e respeitar seus temperamentos e limites. Por isso posso ter uma aranha de estimação, ou uma cobra, ou um cão submisso e dócil, ou gato insubmisso e esnobe; ou um mico estrela temperamental, que se eu bobear vive me pregando uma mordida que sangra. Mesmo assim eu o amo! Eu o respeito.
Você nunca me verá com um pássaro engaiolado. Simplesmente nunca!!!
Eu amo a beleza do bicho livre e solto e sendo ele mesmo. Eu sou expectadora da beleza que voa, e me energizo com isso. E sorrio com a alegria e pego carona para o paraíso.
Eu só amo se me quiserem amar. Se não quiserem, eu deixo ir...
Eu os respeito. Eu aprendi a me respeitar!

Lilly Araújo – 10/05/16
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